BRASÍLIA – De um total de 154 cursos de medicina avaliados pelo Ministério da Educação no ano passado, 27 tiveram desempenho ruim – quase um em cada cinco graduações. Esse grupo não alcançou nota maior que 2 no Conceito Preliminar de Curso (CPC). Cinco dos cursos reprovados são universidades federais – de São João Del-Rei (MG), do Pará, do Rio Grande do Sul, de Pelotas (RS) e de Campina Grande (PB).
Com notas de 1 a 5, o CPC foi criado em 2007 e é usado como referência pelo MEC para medidas de corte de vagas e suspensão de vestibular. No ano passado, o foco foram os cursos da área de saúde, como enfermagem, odontologia e educação física.
Boicote de estudantes, falta de estrutura e nota diferente da realidade do curso são algumas das explicações das faculdades federais de medicina com desempenho ruim.
“Houve um problema muito pontual entre os alunos contra um professor no ano passado. Eles se mobilizaram e boicotaram o Enade”, justificou Lúcia Maria Kliemann, vice-diretora da faculdade de medicina da UFRGS.
Ela diz que a situação já foi solucionada e que a universidade solicitou uma nova avaliação ao governo federal.
Já no campus de Cajazeiras da federal de Campina Grande, o diretor Antônio Fernandes admitiu falta de estrutura. “Nossos alunos têm dificuldades por falta de hospital universitário e ambulatório de especialidades”. Ele afirma que a maioria do corpo docente não tem mestrado nem doutorado. “Falta investimento”, reclamou.
A federal de São João Del-Rei (MG) informou que a nota 2 não expressa a realidade do curso e que, em visita em 2013, recebeu nota 4.
Em nota, a federal do Pará afirma que, por um equívoco, inscreveu o número incorreto de alunos. A universidade informa que entrou com recurso ao ministério, mas não foi atendida. A Ufpel (federal de Pelotas) não respondeu à reportagem.
Ao todo, 90 cursos receberam conceito 3 e 34 registraram nota 4 – nenhuma graduação obteve a maior nota, a de conceito 5.
Outras 3 aparecem como sem conceito: Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS) e Faculdade Ingá. Nesses casos, são cursos recém-abertos, que ainda não completaram um ciclo de avaliação e, portanto, não recebem nota. De acordo com o censo do ensino superior mais recente, o País possui 206 cursos de medicina.
Fonte: Jornal do Commercio



