Nova substância na guerra contra a AIDS

PARIS – Uma substância de combate à aids desenvolvida por uma equipe americana se mostrou eficaz durante vários meses em macacos, abrindo a perspectiva de um tratamento de efeito prolongado contra o HIV, anunciou ontem a revista Nature. “Desenvolvemos um inibidor muito poderoso e de espectro muito amplo que atua sobre o HIV-1, ou seja, o principal vírus da aids presente no mundo”, explicou Michael Farzan, um dos cientistas que coordenou os experimentos.

A substância desenvolvida é fruto de vários anos de pesquisa realizada principalmente pelo Scripps Research Institute, um centro de pesquisa sem fins lucrativos com sede na Flórida e financiado pelo instituto público de pesquisa americano especializado em doenças infecciosas NIAID.

Este composto denominado eCD4-Ig oferece uma “proteção muito, muito forte” contra o HIV, explicou Farzan, com base em um experimento realizado com macacos e apresentado na revista científica britânica Nature. O teste mostrou que a substância, injetada apenas uma vez, era capaz de proteger durante ao menos oito meses do equivalente da aids para os macacos.

Para garantir o efeito prolongado, o eCD4-Ig foi associado a um vírus de tipo adeno-associado (AAV), inofensivo, mas capaz de introduzir-se nas células e fazer com que produzam indefinidamente a proteína protetora capaz de criar um efeito anti-aids de longa duração.

Após o tratamento com o coquetel, os macacos foram submetidos a doses da versão símia da aids (SHIV-AD8). Nenhum animal desenvolveu a infecção, ao contrário dos macacos não tratados com eCD4-Ig e utilizados como “grupo de controle”.

O experimento será apresentado durante uma grande conferência anual em Seattle (Estados Unidos) na próxima semana. “Demonstraremos que estes macacos continuam protegidos contra doses de 8 a 16 vezes superiores à dose infecciosa, mais de um ano depois do tratamento”, afirmou Farzan.

Desde 1981, quase 78 milhões de pessoas foram infectadas pelo vírus HIV, que destrói as células do sistema imunológico e deixa o corpo exposto a tuberculose, pneumonia e a outras doenças. Segundo estimativas da ONU, 39 milhões de pessoas morreram vítimas da doença. Os medicamentos antirretrovirais desenvolvidos em meados da década de 1990 podem tratar a infecção, mas não conseguem curar nem prevenir a doença.

CUBA

Uma equipe de cientistas belgas e cubanos detectou na ilha uma nova cepa do vírus HIV, que desenvolve a aids com mais rapidez do que os outros subtipos identificados até agora. A nova cepa foi descoberta depois que os médicos do Instituto de Medicina Tropical (IPK) de Havana observaram que “alguns pacientes com HIV desenvolviam mais rapidamente a aids que outros”.

Fonte: Jornal do Commercio

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