A dona de casa Mônica Arruda estava chorando na rua quando reencontrou uma amiga de adolescência. Durante a conversa nostálgica, confessou que enfrentava uma depressão há alguns anos. Ouviu como conselho largar o médico particular e procurar a rede pública de saúde, que oferecia atividades como ioga, reiki, acupuntura e tai chi chuan gratuitamente. Mônica acatou a sugestão e se dirigiu ao Centro Integrado de Saúde, localizado a poucos quilômetros de onde mora. Depois de trocar a medicação psiquiátrica pesada pela terapia não convencional, a dona de casa conseguiu combater a doença e não toma mais remédios.
Novas terapias alternativas como as que curaram Mônica agora fazem parte dos procedimentos oferecidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Práticas como meditação, arteterapia e reiki passaram a integrar as “ações de promoção e prevenção em saúde”, definidas pela Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares em 2006. A inclusão dos novos procedimentos no rol de práticas integrativas foi oficializada em portaria publicada na edição do último dia 13 do Diário Oficial da União.
“As práticas integrativas são relevantes por três motivos. Primeiramente, são muito agradáveis e, por isso, o público aceita com muita facilidade. A segunda razão é porque são eficazes, ou seja, os resultados em questões como dores, insônia e depressão são comprovados. Há ainda um terceiro motivo, o valor investido. São tratamentos baratos, frente ao que se gasta na rede pública com remédios, por exemplo”, ressaltou o terapeuta e gestor de Práticas Integrativas do Centro Integrado de Saúde do Recife, Nicolas Augusto.
Para Mônica, a decisão do Ministério da Saúde pode aumentar a procura por práticas como tai chi chuan, reiki e biodança. “Eu gastava R$ 200 por consulta com médico particular, mas não via resultados. Tomava medicações pesadas, perdi a vontade de viver. Depois que descobri as práticas integrativas, num serviço gratuito, me livrei da depressão e minha pressão arterial voltou ao normal.”
A estudante Maria Luiza da Conceição, 20, concorda com os benefícios da terapia não convencional. Depois de descobrir que tinha osteossarcoma (câncer nos ossos), passou a frequentar a Escolinha de Iniciação Musical e Artes, no Hospital Universitário Oswaldo Cruz. O espaço, conhecido como Castelinho, oferece arteterapia como complemento ao tratamento de doenças. “Quando entramos aqui, esquecemos que estamos em tratamento”, destacou a estudante, que se tornou artesã. “Na arteterapia, não existe a preocupação estética. O fundamental é a expressão simbólica e espontânea, onde se faz uma reflexão sobre os processos criativos resultantes”, explicou o médico Paulo Barreto Campelo, idealizador do Castelinho.
Entenda
Sete novos serviços oferecidos pelo SUS
Meditação
Prática de concentração mental com o objetivo de harmonizar o estado de saúde.
Arteterapia
Uso da arte como parte do processo terapêutico.
Reiki
Técnica japonesa de imposição das mãos por meio de toque ou aproximação para estimular mecanismos naturais de recuperação da saúde.
Musicoterapia
Uso da música e seus elementos – som, ritmo, melodia e harmonia – como terapia.
Tratamento naturopático
Valoriza a integração das áreas da saúde, as terapias naturais, como também a inata “sabedoria” do corpo humano para auxiliar no restabelecimento da saúde.
Tratamento osteopático
É uma terapia manual para problemas articulares e de tecidos e indicada para alterações dolorosas no sistema musculoesquelético.
Tratamento quiroprático
Avalia, identifica e corrige subluxações vertebrais e maus funcionamentos articulares, que podem causar irregularidades no mecanismo da coluna e na função neurológica.
Fonte: Diario de Pernambuco



