O contraste entre hospitais de cidades vizinhas

Santa Filomena – Santa Cruz e Santa Filomena. Duas cidades vizinhas do Sertão do Araripe. Mas quando o assunto é saúde pública, os dois municípios estão bem distantes um do outro. Das seis cidades visitadas até esta quarta-feira (24/08) pela Equipe 1 da Caravana Cremepe/Simepe, elas ocuparam posições extremas. Santa Cruz é a que possui a unidade de saúde mais bem estruturada das até aqui vistoriadas, dotada de salas de observação climatizadas, seis consultórios e toda adaptada para o acesso de portadores de necessidades especiais. Já a precariedade do Centro de Saúde de Santa Filomena rendeu duas notificações dos fiscais da Caravana, pela falta de coleta seletiva de lixo hospitalar e de um médico responsável técnico pela  unidade. Foi a que recebeu mais notificações para corrigir irregularidades até o momento.

Santa Filomena foi a segunda cidade visitada pela Equipe 1 nesta quarta-feira, já à tarde. Antes mesmo de entrar na unidade, a fachada do prédio denunciava sua precariedade: paredes com infiltrações, mofo e parte do reboco caído. Ao inspecionar seu funcionamento, o médico fiscal Sylvio Vasconcelos foi informado por duas enfermeiras que não é realizada a coleta seletiva do lixo hospitalar. Todo o resíduo é recolhido junto com lixo comum e ambos são despejados no lixão da cidade sem qualquer triagem.

Sylvio Vasconcelos também alertou à gestão da unidade que o Centro de Saúde não deveria funcionar sem um médico responsável técnico. O município terá que solucionar imediatamente as duas irregularidades encontradas. Caso não sejam cumpridas as orientações da fiscalização, o Cremepe solicitará ao Judiciário e ao Ministério Público requerimento de interdição do Centro de Saúde de Santa Filomena.

A situação contrasta com a encontrada pela manhã em Santa Cruz. A equipe 1 vistoriou o Hospital Municipal João Rodrigues de Souza, inaugurado em novembro de 2009. A unidade é ampla, possui raio-x e uma sala de esterilização dotada de equipamentos modernos.

RESSALVAS

A estrutura do hospital de Santa Cruz mereceu elogios da presidente do Cremepe e coordenadora da Equipe 1 da Caravana, Helena Carneiro Leão, e do médico fiscal Sylvio Vasconcelos. Porém, Vasconcelos fez considerações à gestão da unidade para melhorar a capacitação dos profissionais de saúde que ali trabalham, que demonstraram desconhecer a utilização de alguns equipamentos do hospital. “De nada adianta ter uma boa estrutura sem profissionais capacitados”, alertou ele.

Outra ressalva do médico fiscal é com relação à subutilização da unidade. Apesar da boa estrutura, o fluxo de pacientes é pequeno, ficando boa parte das alas da unidade vazias. No momento da fiscalização, apenas o plantão da emergência estava funcionando. Os consultórios estavam todos fechados, pois não havia especialistas na escala de atendimento.

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