Assuero Gomes // Médico e escritor
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Sete de novembro é um dia de júbilo. Um amigo completa 185 anos, em plena vitalidade. Essencial na sua existência, tem se mantido guardião da liberdade e do tempo. Conseguíssemos alinhar suas palavras, uma atrás da outra, quantas voltas ao planeta poderíamos dar?
Algumas instituições encarnam o sonho de seu fundador e se mantêm fiéis por longo tempo, até que o tempo do carisma inicial se desmanche na chama cadente desse tempo e aos poucos se petrifique em arcaica construção, sem brilho, sem garra, sem ânimo, sem alma. Outras instituições conseguem beber da fonte misteriosa da juventude, e quanto mais o tempo trafega nas suas entranhas, mas sua chama brilha. Talvez seja o segredo do ideal ou da utopia revolucionária, que rega a seiva dos jovens idealistas. O Diario consegue beber da fonte da juventude e se manter detentor da melhor tradição libertária de um povo, o povo pernambucano, fundador do Brasil.
Imagino quantos olhos carregados de emoção já desfolharam o Diario nestes 185 anos, quantas informações vitais, quantas fantasias, quanta companhia a almas solitárias, quanta solidariedade não foi aspergida sobre seu povo?
As pessoas que aqui trabalharam, que derramaram suas vidas e suas horas no tempo do Diario, as que virão, as que se tornarão colaboradoras eventuais, espontâneas, que serão notícia ou farão notícia, as que terão noticiadas suas vidas em noivados, casamentos, batizados e celebrações, até mesmo em suas notas fúnebres.
Hoje é dia de festa, de celebrar, comemorar, fazer refeição juntos, partilhar o futuro, assegurar um cantinho de democracia e liberdade neste templo da imprensa livre, patrimônio do povo pernambucano, do Brasil.
Penso nas mudanças pelas quais o mundo e nosso estado passou nesta linha de tempo de 185 anos. Algumas pessoas refletem se o papel e a tinta perdurarão por muito mais tempo, tendo em vista, os avanços tecnológicos na área da informação. Lembro que o papel tem a idade de 2115 anos e nunca foi tão atual, precioso eimprescindível, quanto hoje e a tinta (nanquim) tem mais de 4000 anos, presentes da genialidade do povo chinês à humanidade. Certamente nos próximos 185 anos nossos descendentes continuarão tendo o prazer inolvidável de manusear o Diario de manhãzinha.
Aprouve a Deus que neste tempo festivo, o amigo Joezil esteja à frente desta grande família. Família tão premiada que é reconhecida como essencial nas nossas vidas.
Gostaria, hoje, de abraçar a cada um da grande equipe que faz este orgulho de Pernambuco. Levaria com certeza o abraço fraterno e de reconhecimento das pessoas e instituições onde partilho minha vida. O pessoal da Unimed Recife, na pessoa da Dra. Maria de Lourdes, o pessoal da Unicred Recife com Floriano Quintas, o pessoal do Sindicato dos Médicos, em nome do colega Silvio Rodrigues, o pessoal da Igreja, em nome de D. Fernando Saburido, que estará celebrando conosco este dia, o pessoal de D. Helder (IDHEC), do Conselho Regional de Medicina, da Associação Médica de PE, do Rotary Club, enfim,dos leitores e leitoras razão primeira e última da existência do tão querido aniversariante.



