Até poucas semanas, quando o brasileiro pensava em saúde temia ser acometido pela dengue, chikungunya ou zika. A corrida era pelo melhor repelente do mercado. A se tirar pelo movimento visto ontem nas ruas e em diálogos na internet, houve uma mudança de foco. O alerta se volta agora para o contágio do vírus H1N1, conhecido como gripe suína. A nova busca é por vacinas em unidades particulares para aplacar o surto fora de época.
Grupos de mães usam aplicativos de conversas no celular para se informar sobre estoques e se organizam em listas de espera para conseguir prioridade e preço mais baixo. Pediatras informam que não há motivo para pânico, no entanto concordam com a antecipação da vacinação dos filhos menores na rede privada, caso possível. Idosos lotam consultórios médicos em busca de informações. A uma senhora com doença cardíaca foi proibida a ida à missa a fim de se evitar exposição. Faz lembrar a iniciativa da Diocese Católica de Taubaté (SP), que ordenou a suspensão do abraço da paz, a entrega da hóstia na boca dos fiéis e a oração de mãos dadas.
O período de vacinação oficial nos postos de saúde está previsto para ser iniciado em 30 de abril e se estende até 20 de maio. O Nordeste receberá 6 milhões de doses. Crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas fazem parte do grupo de risco e, portanto, têm prioridade.
Até ontem foram confirmados 13 casos de H1N1 em Pernambuco. Desses, três incluem síndrome respiratória aguda grave; outros dez, síndrome gripal leve. No ano de 2015, Pernambuco não teve notificações para H1N1. No Brasil, até dia 22 de março, contabilizou-se 305 casos notificados, 46 mortos.
Alguns epidemiologistas admitem que a chegada do vírus em Pernambuco tenha sido antecipada. Em geral, quadros de gripes intensas são mais comuns no meio do ano, durante o inverno. A quantidade de casos aumentou após o carnaval, ao que tudo indica, em virtude do trânsito de turistas oriundos do Canadá, México e Estados Unidos – alguns dos países onde se registrou surto da doença. Os médicos pedem atenção para episódios de febre alta, obstrução nasal, coriza, dor do corpo e falta de ar ou desconforto respiratório a partir do terceiro dia. São sintomas do H1N1 e precisam de avaliação de um profissional de saúde.
Fonte: Diario de Pernambuco



