O país que briga com a balança

Brasília – As balanças acusam os excessos e os especialistas dão o alerta: quase metade da população brasileira está acima do peso. Condição que os deixa propícios a uma série de problemas de saúde ao longo da vida. Nos últimos seis anos, o percentual de quem está fora de forma passou de 42,7% para 48,5% e o de obesos, de 11,4% para 15,8%, segundo a pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), divulgada ontem pelo Ministério da Saúde. A tendência segue entre as crianças. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2010, usados pelo ministério, mostram que 33,5% das crianças com idade entre 5 e 9 anos também estão acima do peso. Em 1989, esse percentual era de 13,5%. O cenário já preocupa a pasta.

De acordo com o secretário de Vigilância em Saúde do ministério, Jarbas Vasconcelos, o Brasil está seguindo uma tendência mundial. “Todos os países que passaram por um período de transição demográfica estão nessa situação. Não estamos em um nível alarmante, mas, se a gente não adotar medidas agora, no futuro, vai ficar muito mais difícil conter essa onda”, ressaltou. Embora o índice de obesidade seja crescente, o Brasil ainda está longe de alcançar países como Argentina, Chile e Estados Unidos, que têm índices de 20,5%; 25,1% e 27,6%, respectivamente.

E o hábito de se alimentar mal vem de longe, para o ministro Alexandre Padilha. Ele refutou a hipótese de que existe uma mudança nos hábitos alimentares dos brasileiros em decorrência do desenvolvimento social e econômico. O levantamento apontou o crescimento no consumo de refrigerante (29,8%), carne com gordura (34,6%) e leite integral (56,9%).

A nutricionista Luciane Felix confirma o fenômeno de aumento de peso, principalmente entre as crianças. Segundo ela, os jovens estão comendo cada vez mais produtos industrializados, repetindo costumes dos mais velhos.

O cardiologista Carlos Alberto Machado acredita que o aumento do peso está diretamente associado ao fato de a maioria dos brasileiros viverem em grandes centros urbanos. “As pessoas estão se fechando cada vez mais devido à violência, estão ficando sedentárias e pedindo toda comida por ‘delivery’”, criticou. No entanto, o índice de sedentarismo caiu de 16% para 14,1% nos últimos três anos. Os homens são os mais ativos: 39,6% se exercitam regularmente. No caso das mulheres, a frequência é de 22,4%. (Grasielle Castro e Paula Filizola)

Fonte: Diario de Pernambuco

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