O preconceito da vacina contra o HPV

Principal arma no combate ao terceiro tipo de câncer mais frequente em mulheres no Brasil, a vacina contra o Papilomavírus Humano (HPV) ainda esbarra na falta de informação e no preconceito. Erroneamente associada a diversos efeitos colaterais e a um comportamento promíscuo na adolescência, a imunização é, na verdade, a garantia de um futuro livre da doença. No Brasil, ela é oferecida pelo Sistema Único de Saúde (SUS) desde 2014, em duas doses. Mas, até este ano, apenas 46,2% das meninas completaram o ciclo. Em Pernambuco, em 2017 até o início da campanha de multivacinação neste mês, a cobertura adequada só ocorreu em 7% das cidades.

O papilomavírus humano (HPV) é um vírus transmitido por contato direto com pele ou mucosas infectadas. A principal forma de infecção é a via sexual, mas não é preciso ter penetração para que ocorra a transmissão. O contato pode ser oral-genital, genital-genital ou manual-genital. É um tipo de infecção extremamente frequente, de 50% a 80% das mulheres irão adquirir o vírus ao longo da vida. O maior risco está na população entre 15 a 19 anos. Cerca de 45% dos adolescentes contraem o vírus antes do início da vida sexual. Por isso, a imunização é recomendada para meninas de 9 a 14 anos e, a partir deste ano, também para meninos de 11 a 14 anos.

No SUS, ela é oferecida com intervalos de seis meses entre as doses. No primeiro ano, houve boa adesão. Entretanto, depois os índices caíram drasticamente. Quando o esperado é atingir 80% do público-alvo feminino após a segunda dose, o Brasil mantém pouco mais da metade disso quando somado os dados de 2014 a junho de 2017. Entre os meninos, a média está em 20% de cobertura. Neste ano, foram distribuídas 1,8 milhão de doses, mas só 8% dos municípios conseguiram atingir um nível satisfatório.

Em Pernambuco, a diferença entre as estatísticas das duas doses salta aos olhos. Entre os meninos, dos 54,4 mil que foram vacinados na primeira etapa, 5,2 mil haviam comparecido à segunda etapa. Entre as meninas, das 48,7% vacinadas, 34,5% haviam recebido a segunda dose. Noventa cidades estão com cobertura baixa e 82 muito baixa. “A vacina previne 70% dos casos de câncer do colo do útero, 44% dos câncer de vulva, 56% dos vagina, 87% dos de ânus e 90% das verrugas genitais. Mas não adianta tomar só uma dose”, alerta a coordenadora substituta do Programa Nacional de Imunizações Ana Goretti Maranhão.

Para ela, é preciso engajamento dos pais para conscientização sobre a importância da vacinação. “Os adolescentes não costumam buscar as unidades de saúde. É preciso romper o preconceito de achar que isso incentivará o início precoce da vida sexual. Estudos mostram que não há essa correlação”, lembra Ana Goretti. Outra ruptura deve acontecer com os mitos. “É uma vacina segura, não tem risco aumentado para tromboembolia (obstrução da artéria). Síncopes e desmaios estão associados a qualquer vacina, mais pelo medo da injeção.”

Fonte: Diario de Pernambuco

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