O que faz mais mal para hipertensão arterial: sal ou açúcar?

“Sal”, dirão todos. Afinal, isso é estabelecido pela ciência. Há muito o sal é um dos responsáveis pelo problema da hipertensão. A hipertensão arterial é um grande problema de saúde pública. Ela é considerada o mais importante fator para o surgimento das doenças cardiovasculares. Os americanos gastam mais de 50 bilhões de dólares anuais tentando tratála. Acomete milhões de pessoas. E a sua incidência não para de crescer. Nas últimas três décadas, nos Estados Unidos, houve um aumento de 44% dos casos, ou seja, mais 64 milhões de pessoas passaram a ser hipertensas. Fenômeno semelhante ocorre emmuitos países. E por que isto está acontecendo? O aumento do consumo de sal poderia ser a causa. Isto seguramente não ocorre entre os americanos. A sua ingesta de salina individual é a mesma há varias décadas. A primeira recomendação que o hipertenso recebe do seu médico é que deve reduzir aomáximo o consumo de sal. No entanto, mesmo que se siga rigidamente essa determinação, a redução pressórica émodesta. Da pressão diastólica é apenas em torno de 2 mm/hg. Além disso, tem-se demonstrado que a restrição de sal pode ser O que faz mais mal para hipertensão arterial: sal ou açúcar? atémaléfica. Maior risco de hospitalização e mortalidade em pacientes com insuficiência cardíaca. Também existem referências que a restrição salina pode aumentar a probabilidade de mortalidade mais precoce nos pacientes diabéticos. Por outro lado, há muito se sabe que a hipertensão arterial é mais prevalente entre os obesos. Também está estabelecido que o açúcar é o alimento que mais contribui para o excesso de peso. Com o aumento da massa gordurosa, o nosso organismo passa a responder menos eficientemente às ações da insulina. Com essa dificuldade, existe uma tendência de a glicose sanguínea se elevar. Para que isso não aconteça, o nosso pâncreas secreta mais insulina. Os níveis sanguíneos elevados deste hormônio causam maior reabsorção do sódio pelo rim e maior contração das artérias. Resultado: quadro de hipertensão arterial. Além disso, a deficiência da ação insulínica acarreta outros malefícios como o aumento dos triglicerídeos circulantes e diminuição do colesterol bom. Como sabemos, todos estes fatores predispõem ao surgimento da doença cardiovascular. Porém, existem outros mecanismos da ação maléfica sobre a pressão arterial. Dois autores, James J. Nicol antônio Sean J. Lucan, publicaram recentemente uma revisão das evidências que existe nesse sentido. O consumo de açúcar aumentou de maneira importante nas últimas décadas entre os americanos. O mesmo que aconteceu com a hipertensão. O consumo individual atual é, pelo menos, quatro vezes o recomendado pela Sociedade Americana de Cardiologia Evidências epidemiológicas mostram que aqueles que ingerem menos de 10% d calorias em açúcar tem pelo aproximadamente 30% menos chances de ser hipertenso. Por outro lado, o inverso é verdadeiro Em outras pesquisas demonstraram que o aumento do consumo dos açúcares eleva a pressão arterial mesmo nos normotensos. E qual seria o açúcar responsável pela ação hipertensiva? Todas as evidências sugerem que é a frutose. A sacarose, o açúcar que usamos tem 50% de glicose e 50% de frutose. A ingestão de glicose isolada não causa elevação da pressão. Dessa maneira a sugestão é que para o hipertenso seja aconselhado diminuir não só o sal, mas também o açúcar. Talvez a restrição dietética do segundo seja até mais importante.

Fonte: Folha de Pernambuco

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