Este domingo é o Dia Internacional da Tireoide, uma das maiores glândulas do corpo, e responsável pela produção dos hormônios que regulam o metabolismo humano. A data é um dia chave para os profissionais de saúde darem um alerta: o crescimento no número de casos de câncer deste órgão. A doença é silenciosa e muitas vezes sem sintomas. Por isso, é necessário estar atento a qualquer alteração suspeita, como cansaço excessivo, sonolência e, principalmente, ao aparecimento de nódulos na região do pescoço. As mulheres são as mais suscetíveis ao mal, e segundo estimativas do Instituto Nacional do Câncer (INCA) oito mil novos casos da doença devem acometer as brasileiras em 2014. Este é o quinto tumor maligno mais comum entre elas.
O presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia Regional Pernambuco (SBEM-PE), Lúcio Vilar, explicou que há alguns fatores de risco para desenvolver a doença. “Pessoas com histórico familiar de câncer de tireoide e aquelas que fizeram radioterapia de cabeça e pescoço são mais predispostas”, disse. A presença mais comum de doentes entre o sexo feminino pode estar relacionado aos efeitos do estrógeno na tireoide, uma vez que estudos indicam que este hormônio poderia interferir no aparecimento de células doentes.
Assim como o câncer de pele, o de tireoide tem tipos, com classificações de risco diferentes. “O mais agressivo é o anaplásico e o mais comum é o papilífero. Este último responde por 80% dos casos diagnosticados, e tem uma resolução rápida”, comentou. Até se fechar o diagnóstico do câncer é necessário uma ultrassom do pescoço e uma punção (espécie de biopsia do órgão). Depois dessas avaliações, que são geralmente conduzidas por um endocrinologista, é que será definido o tratamento. Contudo, na maioria dos casos é recomendada a retirada completa da tireoide. “A indicação é cirúrgica e depois terapia com radioiodo. Não é preciso fazer nem quimioterapia, nem radioterapia”, esclareceu Vilar. O índice de cura é alto chegando a quase 90%.
A publicitária Lise Suassuna, de 39 anos, sabia que fazia parte do grupo de risco para desenvolver a doença, mas assim como várias pacientes com câncer teve um choque com o diagnóstico. “Foi uma porrada. A palavra câncer é assustadora, apesar de todos falarem da certeza da cura”, confidenciou. Com várias tias com o histórico do mal na tireoide, ela já fazia exames periódicos voltados a investigar a glândula até que no final de 2013, um nódulo estranho chamou a atenção dos médicos. O pequeno tumor tinha características de malignidade, o que foi comprovado por biopsia. Era do tipo papilífero. A cirurgia foi marcada para o último dia 13 de março, quando todo o órgão foi removido. Semanas depois iniciou a terapia com iodo. “Terei que fazer o radioiodo uma vez por ano pelo pelos cinco anos. Estou mais tranquila, a rotina está voltando ao normal”, disse. Com a perda da tireoide, os hormônios manipulados também passaram a ser cotidiano da publicitária.
Nódulos devem ser analisados
A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) estima que 60% da população brasileira tenha nódulos na tireoide em algum momento da vida, mas a presença deles não significam que se tenha câncer. Apenas em 5% dos casos os tumores são malignos. O médico Lúcio Vilar informou ainda que na área do pescoço também existem os gânglios, que são diferentes de nódulos e não devem ser confundidos. “O gânglio é um órgão do sistema linfático. Quando a pessoa está com uma infecção ele pode aumentar como uma reação”, tranquilizou.
A dona de casa Maria da Paixão, 58 anos, tomou um susto há alguns anos, quando o médico lhe informou da presença de um nódulo. “Já fiz três punções, mas graças a Deus não deu nada demais. Sou muito ansiosa e fiquei bem assustada na época”, disse. Já Aldeny Silva, 34 anos, precisou retirar parte da glândula. “Descobri um carocinho por acaso durante um raio X. fiz exames mas era benigno, mesmo assim tirei”, relembrou.



