Olhos abertos para a diabete

RIO – Quando uma criança é diagnosticada com diabete, doença caracterizada por taxas irregulares de glicose no sangue, os pais logo pensam em planejar uma reorganização do cardápio. Eles também se preocupam em ensinar aos filhos, que vivem com a enfermidade, a se acostumar com o controle diário da glicemia, através de pequenos furinhos no polegar. Mas nem todas as famílias têm o cuidado de levar com frequência esses pacientes mirins ao oftalmologista.

Para criar esse hábito, a União das Associações de Diabéticos do Estado do Rio de Janeiro (UADERJ), a Sociedade Brasileira de Oftalmologia e a farmacêutica Sanofi lançaram recentemente a campanha Oftalmologista Amigo do Jovem com Diabetes. A ação foi apresentada na capital fluminense durante o Congresso Latino-Americano sobre Controvérsias e Consensos em Diabetes, Obesidade e Hipertensão (CODHy, na sigla em inglês).

O objetivo do movimento é reduzir a ocorrência de cegueira relacionada à doença, através do diagnóstico precoce, em jovens de baixa renda com diabete, da retinopatia diabética (RD) – uma das desordens mais comuns causadas pelo descontrole da glicemia e que está entre as principais causas de perda visual.

Dados mundiais revelam que pessoas com diabete apresentam um risco de perder a visão 25 vezes maior do que as que não têm a enfermidade. E mais: a RD é a principal causa de cegueira em pacientes entre 25 e 74 anos. Entre os sintomas do problema estão visão central manchada ou perda súbita de visão, que poderá ou não ser reversível.

“Preocupa saber que a diabete tipo 1, aquela que dá a cara na infância e ou adolescência, causa algum grau de retinopatia diabética na maioria dos pacientes após 10 anos de convivência com a doença”, alertou a endocrinologista Solange Travassos, professora da Universidade Gama Filho, com sede no Rio de Janeiro, durante o congresso.

É ela quem coordena a campanha, cujo projeto piloto começou a ser implantado, no Rio, em novembro de 2011. “Agora, queremos conquistar outras capitais brasileiras. Já estamos conversando com a Secretaria de Saúde de São Paulo, a nível municipal e estadual. Ao longo do ano, pretendemos visitar outras cidades”, disse Solange, durante o evento.

A ação tem como caminho organizar o trabalho voluntário de oftalmologistas no atendimento gratuito aos portadores de diabete de baixa renda nos consultórios. “Na rede pública, faltam médicos dessa especialidade para fazer exames de fundo de olho. Por isso, a campanha quer conquistar especialistas para atender gratuitamente as crianças e os adolescentes com diabetes”, frisou a endocrinologista, que tem diabete diagnosticada há mais de 30 anos. “Nunca tive uma só complicação. E sei que isso se deve ao bom controle que tenho da doença desde a infância.”

De fato, quando os pacientes conseguem deter o descontrole da glicemia, é possível ter uma vida normal, da mesma maneira que as pessoas que não têm diabete. “Para isso, faz-se necessária uma monitoração contínua por uma equipe interdisciplinar, que inclui vários especialistas médicos e não médicos”, disse o endocrinologista Balduíno Tschiedel, presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD).

No caso do oftalmologista, pode-se dizer que ele é o médico fundamental para fazer o diagnóstico da RD em fases iniciais, antes de as lesões na retina comprometerem a visão. Segundo a SBD, com base em pesquisas mundiais, a realização do tratamento assim que se tem um diagnóstico precoce pode reduzir em 76% o risco de cegueira causada pela retinopatia. Entre as terapêuticas, estão procedimentos com laser e cirurgia.

Fonte: Jornal do Commercio

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