A diretora-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Margaret Chan, demonstrou preocupação com a continuidade das ações contra o zika e de assistência às crianças com microcefalia num cenário de mudanças no governo brasileiro. Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, em Genebra, na Suíça, a dirigente apelou para que medidas que vinham sendo tomadas sejam mantidas pelo novo Executivo Federal, que políticas de enfrentamento ao vírus não se restringem a governos e que a preocupação cresce à medida em que novas descobertas ocorrem. Chan também lembrou que o desafio engloba o atendimento aos bebês que nascem com a malformação cefálica, que vem sendo associada à infecção da mãe pelo vírus ainda durante a gestação. Destacou ainda que esse cenário demandará mudanças no sistema de saúde pública brasileiro e esforços no longo prazo. “Os governos precisam monitorar como essas crianças afetadas vão crescer”, disse ao jornal, citando consequências dos danos neurológicos causados pelo zika em bebês e que já começam a aparecer, como deficiências na visão e audição.
A dirigente também reiterou que, apesar da situação preocupante no País – foram notificados 7.438 casos de microcefalia, 1.326 confirmados -, não há nenhuma recomendação para adiar os Jogos Olímpicos do Rio. Por outro lado, segue orientando grávidas a não viajarem para locais com circulação do vírus e o uso de preservativos, já que há indícios da transmissão do zika por via sexual. Chan ainda declarou que o combate ao mosquito e ao vírus está longe de ser considerado finalizado.
Fonte: Folha de Pernambuco



