Assim como existem épocas em que surgem grandes artistas, maiores escritores, cientistas, filósofos, há doenças de moda, como foi a tuberculose no romantismo, o castigo da sífilis e a vida desregrada, a peste negra e outras pandemias de acordo com as mais diversas ocasiões da história, a gripe espanhola após a mortandade da Primeira Guerra Mundial além das doenças degenerativas da velhice como Alzheimer. Está na moda o estresse como causa de muitos sofrimentos e a genética passou a ser a nova astrologia da contemporaneidade. Diante de tantas guerras e terrorismos que estão acontecendo, concomitantemente, as mortandades consequentes tornaram-se acontecimento corriqueiro e banalizados pela internet e demais meios de comunicação social. Deslembramo-nos das pestes e epidemias que ocorreram no mundo como se fosse coisa do passado.
A epidemia causada pelo vírus ebola, descoberta em 1976 e que vive nos morcegos de diferentes espécies dos continentes africano e asiático causaram segundo dizem (ou foram) cerca de 25 endemias. Apesar de o vírus estar ainda, no presente momento, circunscrito a alguns países subdesenvolvidos: Guiné, Serra Leoa e Libéria. O risco de o vírus chegar ao Brasil é remota, mas possível. Imaginem a situação sanitária do nosso país, que lida no momento com surtos de dengue nas mais diversas regiões, com mais esse agravante. Não sou infectologista mas como simples médico e como cidadão brasileiro tenho o dever de tentar denunciar os aspectos fragilizados da nossa saúde coletiva diante desse fato que os jornais noticiam em letrinhas miúdas.
A Organização Mundial de Saúde(OMS) divulgou em comunicado no dia 14/08/2014, que na atual epidemia, o vírus ebola contaminou 2.127 pessoas e destas, foram a óbito 1.145. Imaginem se chegar ao Brasil como todas as nossas precariedades sanitárias. Escrevi esta opinião por advertência e não para aumentar o medo ancestral do inconsciente coletivo. Já chega a banalização das guerras e do terrorismo.
Fonte: Diario de Pernambuco



