Uma verdadeira via-crúcis é enfrentada diariamente pelos pacientes e acompanhantes que recorrem ao atendimento a rede pública de saúde. No entanto, os problemas têm início ainda do lado de fora das unidades. A Folha visitou seis dos principais hospitais da Região Metropolitana do Recife e encontrou um cenário de total desatenção para quem requer maiores cuidados. Faltam rampas, piso tátil e corrimões nos degraus. Para cadeirantes e pessoas com dificuldade de locomoção, a maratona é para vencer os inúmeros buracos nas calçadas. Os acessos também são obstruídos pelo estacionamento irregular ou ainda pelo comércio que toma conta das vias. Atravessar a rua ou se deslocar até um ponto de ônibus também não é tarefa fácil. No Imip, localizado no bairro dos Coelhos, as pedras foram levantadas pelas raízes das árvores bem diante da portaria principal. Já o piso apresenta vários desníveis que geram dor de cabeça para quem segue de cadeira de rodas. “Já cheguei a me desiquilibrar e quase fui ao chão. Ninguém ajuda e a gente tem que se virar como pode”, desabafou o estudante Geison Gomes, 23 anos. Passando para o bairro do Cordeiro, onde funciona o Hospital Getúlio Vargas, o principal atendimento já não é disponibilizado pela porta da frente, na avenida General San Martin. Aos pacientes resta contornar todo o prédio, uma distância de cerca de 600 metros. Pelo caminho, a via tem o calçamento em mau estado. “Certa vez, tinha terminado de receber alta e levei um tombo por aqui. Tive que voltar”, contou, com frustração, a dona de casa Ione Rego, 57, que tem deficiência nas pernas. Mais adiante, em uma descida íngreme, a aposentada Júlia Vieira, 79, teve que contar com a ajuda de uma enfermeira para conseguir manter-se de pé. No Barão de Lucena, na Iputinga, a calçada bem diante do hospital se transformou em uma verdadeira feira livre, repleta de barracas. No entanto, o perigo maior fica por conta da travessia, na agitação da avenida Caxangá. Avançando para Paulista, ainda na RMR, os usuários do Hospital Miguel Arraes, inaugurado em 2009, seguem em clima de medo. O descaso comas passarelas de pedestres é motivo de revolta para quem procura os hospitais das Clínicas, na Cidade Universitária, e Pelópidas Silveira, no Curado. Esta última, na BR-232, aguarda há três anos pela substituição. A estrutura, à base de tubos de ferro e madeira, está em frangalhos. Procurada pela Folha, a Secretaria Estadual de Saúde informou que criou um grupo de trabalho voltado para o acolhimento e acessibilidade nos grandes hospitais do Estado. Segundo a pasta, já está sendo realizado um diagnóstico das unidades. O Imip afirma que já faz a manutenção. A CTTU informou que a circulação na Caxangá foi modificada recentemente, não havendo ainda projeto para instalação de semáforos ou faixas de pedestres. Já a Secretaria de Mobilidade e Controle Urbano disse que equipes realizam fiscalização contínua do comércio irregular.
Fonte: Folha de Pernambuco



