Um trote pode comprometer uma vida. Provocar tragédias familiares. Conversar com os filhos sobre o assunto neste mês de julho, período de aumento dos trotes por conta das férias escolares, precisa ser tarefa obrigatória dos pais. Mas o alvo da conscientização não deve ser apenas a criança e o adolescente. O adulto também agem de má fé, principalmente à noite, segundo informações do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu-192), instituição frequentemente alvo desse tipo de ação. Se flagrado, o adulto pode, inclusive, responder por crime previsto no Código Penal.
Dados do Samu, no entanto, são otimistas. Apontam redução de 45% para 30% no número de trotes recebidos se comparado o período compreendido entre os meses de janeiro a junho do ano passado e deste ano. O índice, infelizmente, ainda não é o ideal. Nos países desenvolvidos, essa média fica entre 20% e 25%. As ações educativas, portanto, são primordiais.
Prova disso é que a redução no índice se deve, segundo o serviço de saúde, às ações educativas do projeto Samu nas escolas e divulgação do tema na imprensa. Nas palestras realizadas nas unidades de ensino, os profissionais fazem demonstrações de primeiros socorros e falam sobre a importância do atendimento às vítimas. Nas falas, também enfatizam que o trote dificulta o trabalho das equipes e o salvamento de vidas. Ao todo, 21 escolas municipais e cerca de 1 mil alunos receberam as palestras este ano. A lógica é: quanto mais escolas são visitadas, menos trotes são recebidos.
A capital pernambucana tem nove bases descentralizadas do Samu, além da central, localizada na Avenida Manoel Borba, 951, na Boa Vista. Na Central de Regulação Médica das Urgências, trabalham 163 profissionais (entre médicos, enfermeiros, rádio operadores e teleatendentes) 24 horas por dia, recebendo chamadas via 192. Atualmente, a frota é composta por 22 viaturas, sendo 18 unidades de suporte básico, quatro unidades de suporte avançado, seis motolâncias e 10 veículos do tipo 4×4 para substituir os furgões no período de chuva. Ou seja, toda uma estrutura pronta para salvar vidas. Que tal sermos, então, multiplicadores de informações sobre a importância do serviço junto a nossas crianças? Os pacientes agradecem.
Fonte: Diario de Pernambuco



