Oswaldo Cruz sem motivos para festa

O Hospital Universitário Oswaldo Cruz (Huoc) chega hoje aos 128 anos com futuro e presente incertos. Mas a mobilização em favor do hospital-escola – que exporta profissionais para outros centros médicos e é motivo de orgulho de servidores e ex-alunos por causa da dedicação de ilustres e anônimos trabalhadores -, já conseguiu, ao menos, assegurar novos compromissos do governo com a instituição.

A manifestação pró-Huoc, em atos públicos ou por meio de redes sociais, ganha na manhã desta sexta-feira novo capítulo, com festa de aniversário que arrecadará donativos para vítimas da seca e, ao mesmo tempo, convocará a sociedade a “vestir a camisa” do Oswaldo Cruz. A partir das 9h, na porta do prédio principal, haverá declarações de amor ao Huoc e cobranças para que o governo estadual retribua, assumindo sua responsabilidade com o financiamento do complexo que atende mais de mil pessoas por dia.

Fundado em 1884 para receber as excluídas vítimas de varíola, o hospital tem agora o desafio de evitar sua própria eliminação do Sistema Único de Saúde e dos programas de residência médica, tamanha a crise. “O Huoc abraçou muita gente, mas faltou quem o abraçasse”, diz Elton Pedrosa, presidente do Diretório Acadêmico de Medicina da UPE. “Mesmo assim é referência em oncologia, transplante de fígado, doenças infecciosas”, completa. “Presta um serviço inestimável à população sem alternativas, em grande parte pelo trabalho duro de profissionais compromissados, mas cansados de tanto desestímulo”, escreve o médico e professor Vicente Vaz, referência para colegas e alunos.

O atual diretor, Raílton Bezerra, afirma que além de reforma e de um orçamento ampliados, é necessária a diversificação das clínicas, para que o hospital possa plenamente fazer o papel de formador. “Além de manter as referências atuais, é preciso abrir leitos de reumatologia, hematologia, endocrinologia, dermatologia para uma sociedade que cresce”, afirma.

O governo do Estado conseguiu quebrar a autonomia política da instituição ao fazer a reitoria da Universidade de Pernambuco acabar com a eleição direta para diretor. Em contrapartida, está autorizando “suplementação orçamentária para o Huoc cobrir suas despesas regularmente contratadas até o final do ano, incluindo plantões extras e os primeiros serviços de melhoria de sua estrutura física”, conforme nota divulgada ontem pela Secretaria de Ciência e Tecnologia.

O suplemento esperado é de R$ 5,3 milhões, dos quais R$ 950 mil para pagar os plantões extraordinários desse fim de ano e os atrasados. O restante é para remover o esgoto no entorno dos pavilhões e fazer mais ajustes, como catraca eletrônica para controlar mais o cumprimento da jornada de trabalho e dar segurança aos pavilhões. A contratação de 360 novos profissionais (95 por concurso e 165 por seleção simplificada) estão no pacote. A reabertura de parte de seus 112 leitos fechados ao logo de dois anos, embora programada para esta semana, ainda carece de convencimento de servidores convocados para plantões extraordinários. Serviços prestados anteriormente não foram pagos.

Fonte: JC

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