Paciente do CAPs sem remédio

Não bastasse o incômodo de sofrer com uma doença grave, muitos pacientes da rede municipal de saúde do Recife têm tido que enfrentar outra batalha durante o tratamento: a dificuldade de receberem os medicamentos de que precisam. Que o digam os usuários dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPs), locais de atendimento contra diversos tipos de problemas de saúde, inclusive a dependência do álcool, do cigarro e de drogas ilícitas.

É o caso de dona Hermínia Magalhães, de 59 anos, que é fumante há vários anos e ainda enfrenta os males da depressão. Ela só tomou a decisão de procurar ajuda há cerca de um mês, mas se diz desestimulada por não receber parte dos remédios há mais de 15 dias. “Só consegui na primeira semana. Depois, tive que pedir a receita da psiquiatra para poder comprá-los com meu próprio dinheiro. Isso é um absurdo, porque tem remédio ali que custa R$ 135”, reclama. “Tenho me sentido ainda mais depressiva. Não durmo há cinco dias. E a doutora disse que só começo o tratamento contra o cigarro quando vencer a depressão. Ou seja, tudo está sendo adiado na minha vida por conta dessa história”, completa.

O local onde a paciente se trata é o CAPs José Lucena, no bairro da Imbiribeira, Zona Sul do Recife. Mas não é somente lá que o problema acontece. “Minha filha é deficiente visual e costumo levá-la a outros locais para acompanhamento, só que está faltando remédio em todo lugar. Não temos a quem recorrer”, lamentou, na manhã de ontem, após não ter sucesso em mais uma tentativa de obter os remédios.

Além disso, a falta de profissionais é outro agravante enfrentado. O vigilante Roberto Barbosa da Silva, de 59 anos, relatou que, normalmente, tem dificuldade para conseguir atendimento. “É comum adiarem minha consulta porque o doutor falta. Só que eu preciso desse acompanhamento (do psiquiatra). Desde 1993 que eu luto contra o vício de beber e consegui vencer, mas não posso perder esse apoio”, preocupa-se.

A Secretaria de Saúde do Recife informou através de nota que a falta dos medicamentos amitriptilina e clonazepam é pontual e destaca que já realizou licitação para a compra de novos lotes destes itens. A expectativa é que o processo seja finalizado até o fim do mês, de forma a normalizar o fornecimento dos remédios para a população. A Secretaria esclarece ainda que conta com psiquiatra no Centro de Atenção Psicossocial Professor José Lucena, na Imbiribeira, e que um clínico geral lotado na unidade pediu exoneração. No momento, aguarda a convocação dos profissionais aprovados no recente concurso realizado pela Administração Municipal para preencher a vaga em aberto.

Fonte: Folha de Pernambuco

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