“Hospital faz paciente de turista”, denunciou o ouvidor da Associação de Defesa do Usuário de Seguros, Planos e Sistemas de Saúde (Aduseps), Carlos Freitas. A afirmação foi feita ontem, após a entidade trazer à tona um novo caso de “rodízio de pacientes” no Sistema Único de Saúde (SUS), que teve consequências drásticas. A família da dona de casa Maria de Fátima Pinto de Melo, 51 anos, que se encontra em estado grave na sala de recuperação do Hospital da Restauração (HR), tenta entender o porquê de a unidade tê-la transferido para o Hospital Tricentenário, em Olinda, e em menos de 24 horas trazê-la de volta ao HR com uma piora considerável do quadro clínico.
Os parentes reclamam que houve uma precipitação na transferência da dona de casa. “Disseram que ela já estava melhor, mas ela nem tinha aberto os olhos ainda”, reclamou a filha da paciente, Cristiane Melo, 36. Segundo ela, a mudança de hospital ocorreu de uma hora para outra, no dia 19 de julho, depois de 22 dias de internação na Unidade de Suporte Avançado de Neurocirurgia do HR. Outra filha, Rosangela Maria de Melo, 31, se faz amesma pergunta: o transporte da mãe para outro hospital não poderia ter agravado o caso?
A dúvida da família se deve à seguinte sequência de fatos: Maria de Fátima, que é moradora de Escada, na Mata Sul, chegou ao Hospital da Restauração no dia 18 de junho e foi operada de um aneurisma no cérebro no dia 25 de junho. Após a transferência para o Tricentenário e a volta ao Restauração, a ficha de esclarecimento sobre o estado de saúde da paciente, datada de 21 de julho, trazia informações inquietantes: apresentava um panorama de hidrocefalia e meningite, diagnóstico até então desconhecido pelos parentes.
A direção do HR, por intermédio da assessoria de comunicação, informou que hoje a dona de casa está na sala de recuperação onde deve permanecer, e não há prognostico para ela. Segundo o hospital, a paciente está em estado grave, respira com ajuda de aparelhos, não responde a estímulos e apresenta insuficiência renal. Questionada porque ela foi transferida para o Tricentenário, a assessoria afirmou que no dia da mudança Maria de Fátima apresentava sequela neurológica e fazia tratamento por antibióticos, necessitando de acompanhamento e cuidados para pacientes crônicos, tratamento oferecido pelo Tricentenário através de convênio. O HR negou que se apressou em removê-la para abrir nova vaga na Unidade de Suporte Avançado de Neurocirurgia.
A direção da Aduseps vai notificar o Ministério Público de Pernambuco (MPPE), o HR e o Estado sobre a situação de Maria de Fátima, e promete ingressar com ação civil pública caso a paciente não seja removida para a UTI. A associação indica que outros pacientes com casos similares ao da dona de casa podem acionar a entidade pelo telefone 3425.5567.
Fonte: Folha de Pernambuco



