Pacientes ainda enfrentam preconceito

O ano era 1973 quando a cearense Auri Leite da Silva foi diagnosticada com hanseníase. Ela teve uma internação compulsória no Hospital da Mirueira, em Paulista. As manchinhas já apareciam e os pés estavam bastante inchados quando tudo aconteceu. Desde então, o terreno da unidade de saúde faz parte de sua morada. Ela vive em uma das sete casas ocupadas na Vila dos Casados, um terreno criado anos antes por aqueles que tinham a doença e acabavam sendo afastados do convívio social. Quando o Estado fundou o Hospital da Mirueira não atendeu apenas aqueles que já estavam na região, mas também pacientes espontâneos que surgiam na unidade.

“Quando o doutor disse que eu estava doente, achei muito ruim. Foi uma tristeza tão grande porque me disseram que eu teria que me afastar de todos”, comentou. Muitas vezes, durante o tratamento, Auri tinha que resolver suas pendências na cidade, ou mesmo ir ao mercado. Atitudes como essas eram suficientes para que ela fosse vítima de xingamentos como “leprosa”. O filho dela, que foi adotado por ela quando tinha dois meses de vida, hoje é um homem com 28 anos. “Fui criado aqui, sabendo que passando os muros desse hospital vivia o preconceito. Aqui dentro não, aqui é nossa casa, mas na rua as pessoas ainda são preconceituosas”.

José Eusébio da Paixão, 72 anos, morador de Igarassu, descobriu a hanseníase ainda criança. Foi após uma brincadeira com amigos que ele machucou o braço e só percebeu que parte da pele havia sido arrancada quando viu o sangue escorrendo pela roupa. Naquele momento, o desespero tomou conta daquela criança que tinha apenas dez anos de vida. “Não tinha sentido nada, mas depois numa clínica pública me informaram que eu tinha essa doença. Já notei que as pessoas não gostam de andar no mesmo ônibus que eu, mas não me importo”.

Fonte: Folha de Pernambuco

Compartilhe:

Deixe um comentário

Fique por dentro

Notícias relacionadas