Pacientes com câncer sem remédio

Pacientes que tem mieloma múltiplo, tipo raro de câncer do sangue, continuam sem receber a medicação lenalidomida, no Estado. A Folha de Pernambuco já havia divulgado o drama dos doentes em novembro do ano passado, quando a Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular (ABHH) denunciou o desabastecimento da droga às pessoas em tratamento contra o câncer.

Há quatro meses a promessa da Secretaria de Saúde (SES) foi de que a importação de 2,9 mil comprimidos do medicamento, a um custo de R$ 161 mil, estava sendo concluída, mas até agora nada do remédio. “A última vez que consegui pegar o remédio foi em outubro. Já estou pensando em acionar um advogado para ver se consigo de novo”, contou Amélia Chitunda, de 74 anos. Ela e os demais pacientes que fazem o uso da lenalidomida tem que recorrer à Justiça para ter o direito de receber gratuitamente a droga, que não tem registro da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e deve ser importada pelas SES.

A paciente prevendo que a situação não seria resolvida rapidamente e com medo de descontinuar o tratamento teve que pedir ajuda a filha que mora na Alemanha para comprar o medicamento fora do Brasil. Contudo, o plano B da idosa não durou muito tempo. “É muito difícil também comprar o remédio lá. E, agora, estou há um mês sem a medicação”, lamentou. A idosa voltou a usar uma droga mais antiga para não parar de vez o tratamento.

A paciente Marisa Correira, 76, também está na espera de uma solução na entrega da droga. O temor dela é ter que voltar às receitas antigas que traziam mais efeitos colaterais. “Eu fiquei muito melhor com a lenalidomida. Com outros remédios não fui muito bem. A gente fica na expectativa toda vez que liga e não dão previsão de quando a lenalidomida vai chegar”, contou.

Em nota oficial, a SES informou que houve atraso na aquisição do medicamento por ser um remédio importado, não possuir registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária e não integrar a lista dos remédios fornecidos pelo SUS. No entanto, a SES está tomando todas as medidas necessárias para agilizar a entrega. Uma primeira compra em três apresentações (10 mg, 15 mg e 25 mg) já foi finalizada, sendo suficiente para atender, por um período de seis meses, a demanda dos 32 pacientes que aguardam a medicação. A previsão é que o medicamento esteja disponível em 30 dias.

Fonte: Folha PE

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