Pacientes reclamam de marcação de consulta oftalmológica

Pacientes denunciam dormir até dois dias na rua para conseguir vaga pelo SUS

Terezinha Ferreira da Silva, 55 anos, é natural do município de Gameleira, na Mata Sul de Pernambuco, a 93,4 km da capital pernambucana. Na noite desta segunda-feira (3), a gameleirense dormirá pelas calçadas do entorno da Fundação Ação Visual, no bairro do Espinheiro, em Recife, para tentar marcar a consulta de uma amiga. “Ela fez cirurgia nos dois olhos e está sendo acompanhada. Operou de glaucoma e venho marcar consulta para o médico examiná-la”, diz. Terezinha não é a única. Ela está entre os inúmeros pacientes que precisam se sujeitar a situações como essa e reclamam dos problemas na marcação de consultas pela entidade.

Braço do Instituto dos Olhos do Recife (IOR), a Fundação Ação Visual atende pacientes que necessitam de atendimento oftalmológico em Pernambuco pelo Sistema Único de Saúde (SUS). De acordo com a Fundação, a marcação para atendimento é trimestral e cada paciente tem direito a duas marcações. Ao todo, são agendadas mil atendimentos trimestrais e feitos 100 semanais. Nesta semana, está sendo realizado o agendamento para os meses de janeiro, fevereiro e março de 2019. Mas o número de consultas oferecidas já não comporta a demanda.

“Idosos e deficientes passam a noite aqui, uns no chão, outros pelas calçadas. Já são dois dias e duas noite. É lamentável”, denuncia Suellen Cristina, moradora do bairro de Pontezinha, em Cabo de Santo Agostinho, que chegou às 20h do último domingo (2) e só deve conseguir ficha nesta terça-feira (4). Já cientes da alta procuras, os pacientes e acompanhantes chegam a levar travesseiro e lençol. Com a tensão da espera, discussões são recorrentes. “Chega a ter confusão. Brigas, né? Até mesmo agressão”, diz a dona de casa.

Em nota, a Fundação informou que “os agendamentos continuam sendo marcados normalmente” e que a situação é resultado não só do aumento na demanda de pacientes que migraram dos planos de saúde para o atendimento pelo SUS, mas também da redução do número de serviços oftalmológicos no Interior do Estado. Segundo a entidade, modificações no sistema de marcação foram feitas para minimizar os impactos da crescente demanda. “A Ação Visual informa ainda que está em negociação com o contratante [o SUS] em busca de uma solução para minimizar os efeitos da atual situação”, declara.

Em nota enviada ao Portal FolhaPE, a Secretaria Estadual de Saúde (SES) informou que a gestão do SUS é “tripartite”, incluindo os municípios. “As primeiras consultas são reguladas pela SES por meio das secretarias municipais de Saúde, que encaminham o paciente do município de origem para o atendimento. Já as consultas de retorno e as marcações de exames que ocorrem posteriormente são agendadas pela própria unidade credenciada. A SES ressalta, no entanto, que mantém diálogo constante com o IOR para monitorar a regulação dos pacientes. É importante ressaltar, também, que a gestão do SUS é tripartite. Desta forma, todos os entes, entre eles os municípios, possuem participação e responsabilidades próprias, inclusive no tocante à disponibilização de atendimento oftalmológico à população”, afirmou a SES na nota.

A Secretária de Saúde esclareceu também que, no Recife, também oferece assistência oftalmológica a pacientes do SUS na Fundação de Olhos Santa Luzia, no Serviço Oftalmológico de Pernambuco (Seope) e na Fundação Altino Ventura (emergência). “Há, também, atendimento ambulatorial em unidades de saúde de referência, como no Hospital das Clínicas (HC) e no Hospital Universitário Oswaldo Cruz (Huoc)”, informou.

A SES afirmou também, através da nota, que “vem atuando para ampliar a assistência oftalmológica e a oferta de consultas e exames em todo o território pernambucano de forma regionalizada” e cita a “oferta de consultas com médicos especialistas” por meio das Unidades Pernambucanas de Atenção Especializada (UPAEs)”. A secretaria enumera atendimento ambulatorial na especialidade de oftalmologia nas UPAEs Garanhuns, Petrolina, Caruaru, Serra Talhada, Afogados da Ingazeira, Arcoverde, Belo Jardim e Limoeiro. “Para ter uma ideia, só nas unidades de Caruaru, Belo Jardim e Garanhuns, foram realizadas cerca de 30 mil consultas com oftalmologistas em 2017. Esse processo de descentralização e interiorização evita a necessidade de deslocamento de pacientes para a capital, proporcionando o atendimento perto de casa”, disse a nota.

Fonte: Folha de Pernambuco

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