Pensando em amenizar a dor, o sofrimento e outros sintomas físicos e emocionais de pacientes terminais e seus familiares, o Hospital Universitário Oswaldo Cruz (Huoc), em Santo Amaro, implantou o Serviço de Assistência Domiciliar de Cuidados Paliativos (Sadhuoc). Ao todo, 40 pacientes já foram beneficiados com o projeto, criado em março.
Em 2002, a Organização Mundial de Saúde (OMS) definiu cuidado paliativo como um atendimento que visa melhorar a qualidade de vida de pacientes cujo quadro já não pode ser mais revertido. No Brasil, a especialidade só foi reconhecida como área médica em 2011. O Oswaldo Cruz é o primeiro hospital público pernambucano a oferecer o serviço. “Nós damos suporte. Não tratamos apenas do sofrimento, dos sintomas ou da dor do paciente. Discutimos o fim da vida, cuidamos da família, entregamos o atestado de óbito em casa e, às vezes, chegamos a visitá-los mesmo após a morte do paciente”, conta a clínica-médica e infectologista Paula Magalhães.
Os pacientes atendidos pelo serviço do Huoc vêm principalmente de setores de neurologia, geriatria, oncologia e infectologia. A equipe inicia o acompanhamento ainda no hospital. Depois que o doente recebe alta, os cuidados seguem em casa. Foi assim com Cláudia*, 68 anos. Em 2008, ela descobriu que tinha um linfoma. Passou por quimioterapia, mas mesmo após o tratamento, o câncer se espalhou pelo corpo. Ao todo, foram 14 internações em quatro anos. Durante esse período, ela teve três acidentes vasculares cerebrais. Os médicos resolveram mandá-la para casa.
Em maio deste ano, a equipe médica Sadhuoc assumiu o caso. “Ela não sabe que é uma paciente em terminalidade de vida, porque só dizemos o que ela suporta e quer saber. É um mecanismo de defesa. Mas é lúcida e sabe que está doente. Trabalhamos para que ela não sofra”, afirmou o clínico-médico e infectologista José Anchieta. Ele acredita que o atendimento em casa melhora muito a qualidade de vida do doente.
Dor amenizada
Lourdes*, 48, é filha de Cláudia e mora com a mãe desde que o câncer foi descoberto. Para ela, este período de muita dificuldade seria ainda pior não fosse a ajuda domiciliar. “Minha mãe fica feliz quando a equipe chega. Não tenho do que me queixar”, afirma. “Eles têm paciência, cuidado e carinho. A nutricionista me ensina como preparar a comida para minha mãe e o psicólogo conversa comigo. Você percebe que eles fazem o que podem, que fazem o melhor”, acrescenta.
E o reconhecimento vem através de uma voz trêmula, da própria paciente. “Eu gosto muito deles todos. Eu sei que sou bem atendida no hospital, mas aqui é bem melhor. Eles passaram a ser a minha família”, disse.
Fonte: Diario de Pernambuco



