BRASÍLIA (Folhapress) – Com o discurso mais político em defesa do Mais Médicos até o momento, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, defendeu ontem a vinda de médicos cubanos ao Brasil. E, apesar da defesa desses profissionais, o ministro disse que o governo trará médicos de qualquer país. Questionado sobre se traria até da China, o ministro respondeu que o médico “se comunicando em português, (o programa) vai trazê-los da China”. O ministro disse ainda que não pretende trazer com eles o modelo econômico-social da ilha e lembrou que a oposição tentou medida semelhante no passado. “O que estamos trazendo para o Brasil não é o regime cubano.
O que o Ministério da Saúde está fazendo, e outros 58 países fazem hoje, é trazer a experiência na atenção básica da saúde de Cuba”, afirmou Padilha, durante uma comissão geral na Câmara sobre o programa. Além de defender os cubanos, diante das críticas, o ministro afirmou ainda que o País poderá analisar eventuais pedidos de asilo de profissionais inscritos no Mais Médicos. Isso valeria tanto para cubanos quanto paramédicos de outras nacionalidades.
“Vamos analisar quando houver um motivo”, disse. No dia 24, o advogado-geral da União, Luís Inácio Adams, havia afirmado que essas solicitações não seriam possíveis. Padilha também rebateu a acusação de que médicos cubanos teriam os passaportes recolhidos. “Podem checar”, afirmou, sugerindo ainda que deputados avaliassem as condições de trabalho dos profissionais. Pouco antes, o deputado Ronaldo Caiado (DEMGO) havia dito que os passaportes ficariam retidos, que prefeitos seriam “inocentes úteis e corresponsáveis pelo pagamento de trabalho escravo”, como ele caracterizou o serviço dos cubanos. “Ministério Público do Trabalho e procuradores regionais, por sugestão nossa, vão acompanhar in loco a atuação deles”, disse Padilha, sugerindo que os deputados também fizessem esse acompanhamento.
REPÚDIO O Conselho Estadual de Saúde de Pernambuco (CES /PE) divulgou ontem uma moção de apoio ao programa Mais Médicos para o Brasil. A instituição repudiou as manifestações hostis, realizadas por grupos contrários, na receptividade aos profissionais estrangeiros. OCES/PE classificou estas ações como racistas e xenófobas. Na nota o conselho também reprovou a perseguição aos profissionais brasileiros que aderiram ao programa.
Fonte: Folha PE



