Pais de bebês com a doença pedem mais sensibilidade na hora do diagnóstico

“Ele olhou para mim e disse: ‘é difícil falar, mas vou ter que falar. Não cresceu nada aí. Nem cérebro nem cabeça. Seu bebê tem a cabeça de um feto de quatro meses. Se nascer, vai viver em estado vegetativo’”. Foi assim que a atendente de telemarketing Nadja Cristina Gomes Bezerra, 42 anos, recebeu, aos sete meses de gestação, o diagnóstico de microcefalia intrauterina – malformação que altera o desenvolvimento do bebê – em uma unidade de saúde do Recife.

As palavras ditas pelo médico durante um exame de ultrassonografia ecoam em sua cabeça até hoje. “Ficou gravado em mim. Eu gritava e chorava. Não sei como minha filha nasceu, de tanto que chorei”, relatou.

Contrariando a informação fria, a pequena Alice está viva, com um mês e sete dias. Ontem, acompanhada do pai, da mãe e da avó, ela foi avaliada no Hospital Universitário Oswaldo Cruz (Huoc). “O importante agora é dar amor. Essa criança vai viver mais do que a gente”, enfatizou para a família a médica que recebeu Alice no Huoc, a infectologista Regina Coeli.

Nadja Cristina não é a única a relatar falta de insensibilidade. Em meio ao aumento do número de casos de bebês com microcefalia em Pernambuco (268 notificados em 2015, contra 12 em 2014), há relatos semelhantes.

A bancária Isabel Cristina Gomes de Albuquerque, 37, passou por algo parecido com Nadja no momento do parto. “Assim que meu bebê nasceu, a médica o colocou em cima de mim e já foi dizendo: ‘preciso levá-lo porque ele nasceu com a cabeça pequena’. Foi um choque. O parto é um momento que a gente idealiza.”

Uma das preocupações do pai de Alice, João Batista Bezerra, 54, é a possível incompreensão da empresa onde ela trabalha. “Sei que vou precisar faltar algumas vezes para ajudar a cuidar dela. Minha esposa tem depressão. É hipertensa e ajudada por minha sogra, mas ela não poderá acompanhar toda vez que precisar ir ao médico.”
Especialista no assunto, Regina Coeli diz que é preciso ter meios de falar com essas famílias, porque geralmente elas ficam assustadas, com medo e cheias de dúvidas. “O momento exige cuidado de todos. A forma mais adequada de tratar é a mais branda possível”, recomendou.

Fonte: Diario de Pernambuco

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