Pais denunciam negligência médica

Roupas já compradas. Um quarto todo montado. E uma família que esperava, ansiosamente, pela chegada de Guilherme Lucas de Araújo Souza. No entanto, a criança recém-nascida não conhecerá os pais e avós. Isso, porque, depois de enfrentar um parto complicado, o menino morreu ontem na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) da Maternidade Memorial Guararapes, que fica no bairro de Prazeres, em Jaboatão dos Guararapes, na Região Metropolitana do Recife (RMR). Os familiares do garoto acusam a equipe médica que realizou o procedimento de negligência. O caso foi registrado na Delegacia de Prazeres. A mãe de Guilherme, Aline de Araújo Bezerra, 17 anos, permanecia internada na unidade de saúde, até o fechamento desta edição.

Para o pai do bebê, Lorran Lucas de Souza Costa, 17 anos, a obstetra que fez o parto, identificada por ele apenas como Maria da Conceição, lesionou a cabeça da criança. Ele acredita que o menino morreu em decorrência do suposto erro médico. “Minha mulher foi internada no dia 28 deste mês (janeiro), mas o parto foi no dia seguinte, porque eles fazem de tudo para ser normal. Durante o parto, meu filho não saiu completamente. Então, empurraram o neném para dentro e fizeram um parto a fórceps. Guilherme foi para a UTI com um ferimento na cabeça e faleceu hoje (ontem)”, explicou.

O procedimento citado pelo jovem consiste na utilização de um equipamento semelhante a um par de colheres grandes, que se ajustam à cabeça do bebê para ajudar a puxá-lo. E esta ferramenta, segundo o pai da criança, causou uma lesão que vitimou o pequeno. “Guilherme nasceu grande e bonito, com 52 centímetros e 4,9 quilos. Na UTI mesmo, vimos a cabecinha dele ferida. E, até agora, o hospital se negou a nos dar um laudo com causa da morte e os nomes da equipe médica”, reclamou.

Desolados e desesperados por justiça, os familiares de Lorran Lucas procuraram a Delegacia de Prazeres e registraram um Boletim de Ocorrência (BO). O caso ficou a cargo do delegado João Gaspar, que vai instaurar um inquérito para investigar a denúncia, no intuito de confirmar se realmente houve negligência e cobrar responsabilidades. Os depoimentos começarão a ser colhidos hoje.

Procurada pela reportagem da Folha de Pernambuco, a direção da Maternidade Memorial Guararapes declarou que apenas se posicionará oficialmente tão logo o fato seja apurado.  A reportagem, então, entrou em contato com a assessoria de Imprensa da Secretaria Estadual de Saúde (SES), que explicou, por meio de nota, que os partos normais pelo SUS são “recomendados pela Organização Mundial da Saúde para aqueles casos onde não há risco de vida para a mãe ou para o bebê”.

Ainda segundo a assessoria da pasta estadual, o procedimento é estimulado, mas depende da aprovação da equipe médica que acompanha a paciente. Quanto ao convênio com a maternidade, a Secretaria foi enfática. “A Secretaria Estadual de Saúde informa que não tem convênio com o Hospital Memorial Guararapes para a oferta de emergência obstétrica. Esse contrato é firmado através da Prefeitura de Jaboatão dos Guararapes”, assegurou o documento.

Fonte: Folha de Pernambuco

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