A presidente Dilma está propondo uma série de mudanças para continuar tudo como está. Das cinco propostas apresentadas na reunião com governadores e prefeitos, todas estão cercadas de dúvidas e polêmicas e apenas uma, a que facilita a vinda de profissionais médicos do exterior, poderia ter aplicação imediata. Mas, pouco ou nada adiantaria para melhorar o atendimento à população.
A saúde pública no Brasil é um bolso furado por onde escoa as verbas públicas. Os gastos são insuficientes, as fraudes causam permanentes sangrias nos bolsos dos contribuintes e a interferência partidária no atendimento médico-hospitalar é, por si só, doença incurável. Trazer médicos do exterior ou mesmo transferir profissionais brasileiros através de atraentes salários, pouco adiantaria. Sem equipamentos hospitalares adequados, sem paramédicos preparados, atados às influências políticas, os novos médicos continuariam a prescrever o mesmo tratamento: a transporterapia. Isto é, fazer atendimento emergencial, colocar o paciente numa ambulância e transportar o coitado para centros mais adiantados.
Não é sem razão que o equipamento mais solicitado pelos prefeitos é a ambulância. Pode não trazer saúde à população, mas traz votos. Humildes e desinformados, os interioranos acreditam que o prefeito está prestando grande favor.
Fonte: Diario Econômico (Aldo Paes Barreto)



