SÃO PAULO (Folhapress) – Médicos avaliam que o incentivo ao parto normal deve ser acompanhado por mais infraestrutura nos hospitais e também por uma gestão adequada desse procedimento. Para o ginecologista e obstetra Carlos Alberto Petta, do Centro de Reprodução Humana do Hospital Sírio-Libanês, a necessidade da presença do médico durante todo o parto pode ser revista em hospitais de grande porte. Ele explica que o parto normal leva, em média, 12 horas, em vez das três horas da cesária. Nesse tempo, diz o obstetra, o médico deve estar presente em todo momento, o que pode prejudicar o atendimento a outras pacientes “Nos Estados Unidos, há a figura da enfermeira obstetriz que acompanha a paciente Há 30 anos era assim no Brasil também”, diz. Já para a obstetra Mara Diegoli, que fez partos durante 3 anos, os hospitais devem esta preparados para manter uma equipe completa 24 horas dentro do hospital. “É precis haver um anestesista, um enfermeira obstetra, um médico obstetra e um pediatra 2 horas de plantão”, afirma. Também, segundo ela deve-se garantir que toda gestante tenha acesso a um leite de maternidade, próximo d sua casa, sem precisar s preocupar em ser rejeitado por vários hospitais. Sobre número alto de cesáreas registradas no país, Carlos Alberto Petta explica que o índice também é puxado por uma escolha da própria paciente que quer a comodidade de te uma hora marcada para nascimento de seu filho. “ médico deve avaliar (o desejo da grávida), pois é ele que vai responder pelo risco desnecessário”, afirma. “E a cesárea tem risco aumentado de infecções.” Outro motivo, diz ele, é que muitas mulheres têm medo de dor no parto normal – e, por isso, informação e uma equipe treinada são imprescindíveis, em sua opinião. E busca de um procedimento mais humanizado na hora do parto, com menos intervenções, mulheres têm recorrido à rede pública de saúde. Preocupadas com o alto índice de cesarianas na rede privada (84%) e incapazes de contratar uma equipe de saúde completa, elas têm optado por hospitais de referência e saúde materno infantil. Esse é o caso da professor de matemática Camille Ramalho, 33 anos, que deu à luz no Hospital Maternidade Maria Amélia Buarque de Hollanda, no centro do Rio. “Fiz todas as consultas de pré-natal pela plano de saúde, mas na hora do nascimento preferi o SU [Sistema Único de Saúde]” contou. Ela disse que se informou sobre o assunto ante de tomar sua decisão. “Li muito, conversei com muita mães e não me arrependo.”
Fonte: Folha de Pernambuco



