Para não dar chance ao aedes

As recentes epidemias de arboviroses que atingiram o Estado levaram o estudante Jeovanni Cipriano, 18 anos, a se mobilizar para combater os criadouros do Aedes aegypti. Aluno da Escola de Referência em Ensino Médio Integral Desembargador Renato Fonseca, no bairro de Jardim Brasil, município de Olinda (Grande Recife), ele se reuniu com quatro colegas para desenvolver o aplicativo Caça ao Aedes, que estimula a população a vigiar possíveis focos do mosquito que transmite dengue, chicungunha e zika. A ferramenta, que conta com 1.294 cadastros e 270 denúncias de criadouros, foi concluída há cerca de quatro meses e será apresentada amanhã, em Brasília, ao ministro da Saúde, Ricardo Barros.

“Existe a expectativa de que nosso aplicativo possa ser utilizado por gestores de cada Estado brasileiro. Não esperava esse reconhecimento nacional, que é muito gratificante porque é um sinal de que nosso trabalho pode ajudar o próximo”, diz Jeovanni. Ele vai a Brasília ao lado de dois colegas e da professora Jorgeci Cabral, que participou do trabalho de orientação do desenvolvimento do projeto.

Em novembro de 2016, os alunos participaram da Feira Ciência Jovem, no Paço Alfândega, no Bairro do Recife. A equipe foi reconhecida como Destaque de Pernambuco e ganhou uma viagem para a cidade de Assunção (Paraguai), onde representará o Brasil, em junho, numa feira de tecnologia. Na ocasião, eles apresentarão o aplicativo.

Disponível para Android e IOS, a ferramenta também pode ser baixada pelo link: app.vc/renatofonsecaemjardimbrasil. “É uma opção para quem não consegue acessar o app pelo smartphone”, frisa Jeovanni. Ele informa que, ao receber as denúncias, a equipe vai até o local exato dos focos do mosquito e, se possível, os próprios alunos tentam eliminar os criadouros ao fazer um mutirão de limpeza.

“Em alguns casos, precisamos entrar em contato com as secretarias de Saúde do município onde está o foco. Depois de cinco dias, conferimos se a situação foi resolvida. Felizmente o problema é solucionado na maioria das vezes.” Além de receber denúncias de moradores do bairro onde está localizada a escola, a ferramenta tem registrado reclamações de usuários da Paraíba e do Piauí.

Após lançado o aplicativo, os estudantes realizaram pesquisa de campo e perceberam a diminuição de 67% dos casos de arboviroses em Jardim Brasil. Além de registrar possíveis focos do Aedes, a ferramenta leva informações sobre dengue, chicungunha, zika e microcefalia. O app também traz dicas de prevenção das doenças transmitidas pelo mosquito e destaca os sintomas que cada uma delas pode causar.

Fonte: Jornal do Commercio

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