Quem precisa de atendimento nas Agências da Previdência Social (APS) está penando. Hoje, a greve dos servidores do INSS completa 44 dias sem solução para a queda de braço entre a categoria e o governo federal. Mesmo com a liminar do Superior Tribunal de Justiça (STJ) determinando a manutenção de 60% dos serviços nas agências, a ordem judicial está sendo descumprida. A reportagem do Diario percorreu as maiores APS do Recife e comprovou a via-crúcis dos segurados em busca de atendimento. Até mesmo as perícias médicas estão sendo mantidas de forma precária. Os demais serviços previdenciários foram suspensos.
Na APS da Encruzilhada, os dois portões de acesso à agência estão fechados com cadeados, dificultando o acesso. Os segurados ficam do lado de fora à espera de informações e da triagem para a perícia. A atendente de telemarketing Luana Paula da Silva, 30, precisa renovar o auxílio-doença e não conseguiu ser atendida. Ela fez uma cirurgia no pé e está afastada do emprego há um ano e dois meses. “Se eu não renovar a perícia, não recebo o benefício. A gente fica aqui do lado de fora, no sol, sem informação.”
A situação da doméstica Marlene Moreira do Nascimento, 53 anos é mais grave. Ela tem uma hérnia abdominal e precisa dar entrada no benefício antes de fazer a cirurgia pelo Sistema Único de Saúde. “Estou sem receber o benefício e não tenho condições de trabalhar. Quem me ajuda é o meu irmão. Sem ele, eu já estava morrendo de fome.” Marlene conta que não consegue dar entrada a aposentadoria.
Na APS de Casa Amarela, o garçom Claudemir de Souza Silva, 52, faz plantão todos os dias em frente à porta fechada. Ele está afastado do emprego por motivo de doença e tem que renovar o benefício antes do dia 31. “A gente tem que dar entrada 15 dias antes de vencer. Eu venho aqui todos os dias e não consigo ser atendido. Se eu não receber o auxilío-doença, vou ficar sem dinheiro.”
A principal APS do Recife, localizada na Avenida Mário Melo, no bairro de Santo Amaro, encontramos a copeira Nilza Maria Serafim do Carmo, 52, andando com duas muletas. Ela sofre de artrose e artrite e teve que se afastar do emprego. “Vim fazer a perícia médica, mas me mandaram voltar para o posto onde eu dei entrada ao benefício. Se eu parar de receber o benefício, não tenho como comprar a minha medicação.”
Na agência da Rua Corredor do Bispo, a equipe do Diario foi proibida de fazer entrevista com os benefíciários que aguardavam o atendimento do lado de fora. O empresário Hugo Ximenes, 79, foi até o local pegar uma certidão para a regularização de débitos do INSS.
Fonte: Diario de Pernambuco



