A diretora da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), Carissa Etienne, e o ministro de Saúde de Cuba, Roberto Odeja, acompanharam o ministro da Saúde do Brasil, Alexandre Padilha, durante visita a uma unidade básica de saúde de Jaboatão dos Guararapes, no Grande Recife, na manhã de ontem.
O encontro serviu para verificar de perto o funcionamento do programa Mais Médicos, que já conta com a colaboração de cinco mil profissionais cubanos recrutados em convênio com a Opas. Esta foi a primeira vez que o representante cubano e a diretora da Opas estiveram em Pernambuco. Eles aproveitaram para comemorar a parceria e rechaçaram as informações de que os cubanos seriam enviados para missões médicas em condições de trabalho escravo. “No caso de Cuba, a saúde pública tem um princípio incorporado de internacionalismo proletário. Não é uma contratação individual de médico, é um convênio da Opas com o Ministério da Saúde do Brasil. Por isso não falamos em exportação de serviço, falamos de colaboração, integração”, disse Odeja. Ele aproveitou palavras usadas por Fidel Castro para exemplificar a parceria: “Somente podemos salvar a humanidade da morte coma paz e a colaboração”, repetiu.
Carissa Etienne, por sua vez, negou que haja conflitos com os direitos humanos nos contratos celebrados para recrutar médicos da Ilha. “Há mais de 30 anos Cuba vem colocando médicos no mundo inteiro”, avaliou. A diretora da organização ressaltou, ainda, que a repercussão negativa entre os médicos nacionais sobre o programa Mais Médicos chamou a atenção da Opas, mas resistências também foram verificadas em outros países, em projetos semelhantes. O ministro Alexandre Padilha disse que o convênio com Cuba deve ser acelerado nos próximos meses. “Hoje temos 249 profissionais dos Mais Médicos no Estado de Pernambuco. Chegaremos a 700 até março do ano que vem”, afirmou. PESSIMISMO A Organização Mundial de Saúde (OMS) apresentou perspectivas pessimistas quanto a desassistênciamédica nos próximos 20 anos no planeta. Pelas projeções, o déficit atual é de 7,5 milhões de profissionais e pode chegar, em 2035, a 12,9 milhões. Os cálculos levam em consideração a proporção ideal de 34 médicos para cada 10 mil habitantes. Os dados fazem parte de um relatório que foi apresentando, ontem, no segundo dia do II Fórum Global de Recursos Humanos, no Centro de Convenções de Pernambuco. O documento divulgado ontem traz recomendações sobre estratégias que mudem as projeções. Indica que cada país deve fazer a coleta de informações sobre sua gestão e que a comunidade deve ajudar nesse processo. Outra sugestão são políticas que retenham os médicos na atenção básica.
Os participantes ressaltaram que é importante, também, criar atrativos para que os médicos cheguem a áreas mais remotas. Durante o evento, o Mais Médicos foi defendido como “case” de sucesso pelo secretário de Gestão do Trabalho e Educação em Saúde, Mozart Salles. Com relação a números, Salles explicou que o estudo da OMS coloca o Brasil com 31,5 médicos para cada dez mil habitantes, média compartilhada por outros 100 países, mas aquém dos 34 profissionais preconizados. “Estamos em uma posição intermediária. Avançamos nos últimos anos, mas ainda temos muito o que fazer em acessibilidade, qualidade e universalidade”.
Fonte: Folha de Pernambuco



