Paredes rachadas e infiltrações no HGV preocupam

Rachaduras, fendas no revestimento do teto e infiltrações na estrutura não têm passado despercebidas por pacientes e acompanhantes, além do corpo de funcionários do Hospital Getúlio Vargas (HGV), localizado no bairro do Cordeiro, na Zona Oeste do Recife. O medo de ver tudo desabar parece superar a angústia pela precariedade no atendimento.

Os usuários procuraram a Folha de Pernambuco, na manhã de ontem, para denunciar a suposta queda de parte da cobertura de gesso do bloco cirúrgico, que fica no segundo andar da unidade, provocando a suspensão do atendimento. O episódio vem reforçar uma situação que não é nova, já que o bloco G, que também abriga a emergência e o ambulatório, chegou a ser interditado, ainda em 2004, pelos mesmos motivos. Ontem, a equipe de reportagemnão foi autorizada a entrar na unidade de saúde. E, apesar dos vários relatos de familiares de pacientes e de funcionários do hospital, a Secretaria Estadual de Saúde (Ses) negou o fato. No entanto, na semana passada, as falhas no local foramalvo da visita de técnicos da Secretaria-Executiva de Defesa Civil do Recife, que ainda aguardam a conclusão da reforma, orçada em R$ 4 milhões e que se encontra paralisada há cerca de três meses. “A espera é enorme, a gente fica amontoado, sem macas ou cadeiras e, como se não bastasse, ainda pode perder a vida se tudo vier a baixo”, disparou a aposentada Maria Elizabete Lima, de 63 anos, que veio do município de Carpina, na Zona da Mata Sul, embusca de tratamento para umobcesso na perna esquerda. Mais adiante, a vendedora Sandra Andrade, 23, saiu de Paulista, na Região Metropolitana do Recife, para acompanhar uma tia em uma cirurgia no pé. “Os dedos já estão comprometidos e ela corre o risco de piorar.

A cirurgia estava marcada para ontem (domingo), mas foi cancelada às pressas por problemas no prédio. Ninguém esclareceu nada para a gente. É uma vergonha!”, criticou. Oquadro caótico também foi assegurado por quem marca presença diariamente no local: “Nos andares há problemas por todos os lados, inclusive no refeitório, onde parte do reboco quase atingiu a cabeça de umcolega”, revelou umdos vigilantes. “No terceiro andar já caíramazulejos e há salas com tanto mofo que fica até difícil respirar”, complementa o auxiliar de manutenção que, igualmente ao anterior, preferiu não se identificar. Por meio de nota, a Ses revelou que, para garantir a segurança de funcionários e pacientes, telas de proteção foram colocadas nos corredores, o que pode ter confundido os usuários. O documento esclarece, ainda, que as obras de recuperação e reforço estrutural do prédio estão com 35% de execução, devendo ser retomadas nos próximos dias. Sem detalhar parecer sobre a possibilidade de desabamentos, a Defesa Civil do Recife reiterou que aguarda o atendimento às recomendações solicitadas após vistoria conjunta, realizada em dezembro de 2013, envolvendo o órgão, a Secretaria de Saúde e a Coordenadoria de Defesa Civil (Codecipe).

Fonte: Folha PE

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