Apesar das melhorias anunciadas, ontem, para a UTI pediátrica, que duplicou a capacidade de atendimento às crianças, pacientes reclamam da demora nas cirurgias ortopédicas no Hospital Otávio de Freitas (HOF), no Recife. Alguns estão há quatro meses esperando por uma operação eletiva. Entre os motivos para a espera, segundo eles, está a desorganização na realização das operações, que muitas vezes são canceladas na porta do bloco cirúrgico.
A ala de trauma conta com 130 leitos de enfermaria e três salas de operação, e realiza, emmédia, 200 procedimentos mensais. Para a direção da unidade, a culpa da morosidade não está no hospital, mas no crescente volume de acidentes commotociclistas. “O problema é a demanda. Nessa velocidade, nenhum serviço aguenta”, afirmou o diretor do HOF, Antônio Barreto. Segundo ele, algumas estratégias já foram tentadas para diminuir a fila para cirurgia, como a implantação de jornadas extras diárias e no final de semana. “A gente faz o que pode”, justificou.
O problema é que o discurso da direção não serve de alento para quem precisa de cirurgia. Sem andar há quatro meses, Ailton José de Freitas, de 34 anos, é um dos que está na lista de espera, desde que fraturou o fêmur. “Só dizem que temos que aguardar e aguardar. Estamos assim há quatro meses. Disseram que estavam aguardando um fixador para a perna, e que tinha quer ser de doação, já que os SUS não cobre”, comentou a irmã do paciente, Maria dos Anjos Freitas, 35. A espera de Antônio Fernando Pereira, 48, é ainda pior. Ele aguarda que a cirurgia na tíbia, dessa vez, dê certo. De acordo com ele, a terceira operação vai corrigir o osso que não “colou”. “Parece mais que a gente aqui é cobaia. A gente nunca sabe se vai dar certo”, reclamou. O diretor do HOF afirmou que Pereira será operado. “Ele tem fraturas complexas e parada para receber 20 crianças até 13 anos.
O incremento ajuda a diminuir o tempo de espera por uma vaga, que varia de três a cinco dias no Estado, segundo Barreto. “Temos uma demanda reprimida e essa duplicação vem tentar minimizar exatamente esse déficit”, comentou. Também foram contratados para a ala, mais oito médicos intensivistas que se somam aos 14 profissionais já existentes.
Fonte: Folha PE



