Pela 1ª vez, pesquisa investiga infecção por zika em gestantes da rede privada

Passados quase dois anos do nascimento dos primeiros bebês com microcefalia associada ao zika, os pesquisadores já relataram a ocorrência de alterações visuais e auditivas, comprometimentos neurológicos e articulares, além de outros problemas decorrentes da infecção pelo vírus na gestação. A maioria dos estudos que trouxe essas respostas foi desenvolvida a partir do acompanhamento de mulheres e crianças que recebem assistência no sistema público de saúde. Agora especialistas brasileiros se unem a pesquisadores de outros países para ampliar o espectro das investigações: passam a incluir, nos estudos, as mulheres grávidas atendidas por obstetras na rede privada.

“Queremos desvendar quais são os fatores associados à infecção pelo zika na gestação que contribuem para o aparecimento ou não de comprometimentos nos bebês. Agora vamos comparar as mulheres que têm diferentes comportamentos e estilos de vida. Serão confrontados os resultados (aqueles que já existem com os coletados no estudo atual)”, explica o pesquisador Ernesto Marques Júnior, do Departamento de Virologia e Terapia Experimental da Fiocruz Pernambuco. A instituição é o braço, no Recife, de um consórcio multinacional batizado de ZIKAlliance, que reúne 53 parceiros institucionais da América Latina e Europa. Ontem pesquisadores alemães à frente da investigação visitaram a Fiocruz Pernambuco para delinear os próximos passos do projeto, que será iniciado em maio no Recife.

“É um estudo com duração de três anos. Podem ser incluídas na pesquisa mulheres a partir dos 16 anos que estão no primeiro trimestre da gestação. Elas passarão por exames a cada quatro meses”, informa o cientista Thomas Jänisch, do Departamento de Doenças Infecciosas da UniversitätsKlinikum Heidelberg, na Alemanha. As gestantes serão submetidas a testes moleculares (conhecidos como PCR) que detectam a presença do vírus no sangue ou na urina nos primeiros dias de infecção.

Também serão feitos exames sorológicos – são capazes de diagnosticar anticorpos produzidos pelo organismo após a infecção (ou seja, são testes que detectam o zika em pessoas que não têm mais o vírus no organismo). “As mulheres passarão pela sorologia no começo e no fim da pesquisa, que terá duração de três anos”, acrescenta Thomas Jänisch. Para a cônsul-geral da Alemanha no Nordeste, Maria Könning-de Siqueira Regueira, a interação teuto-brasileira reforçará a capacidade de assistência na saúde pública. “Desejamos intensificar o trabalho em comum e avaliar o intercâmbio de tecnologias.”

SAIBA MAIS

No Recife, a ideia é investigar, no mínimo, 300 gestantes em acompanhamento por obstetras que atuam na rede privada. Após o nascimento dos bebês, continuam na pesquisa as mulheres (e os filhos) cujos resultados dos exames feitos na gestação tenham positivado para zika, segundo Thomas. Ele acrescenta que, no Brasil, a pesquisa está sendo realizada também em São Paulo, no Rio de Janeiro e na Bahia.

O consórcio ZIKAlliance é coordenado pelo Instituto Nacional Francês de Saúde e Pesquisa Médica, com financiamento do programa Horizon 2020, da União Europeia. “Para esta pesquisa, o investimento é de 10 milhões de euros”, diz Thomas. Obstetras do Recife que desejam colaborar com o estudo podem enviar e-mail para Ernesto Marques: emarques@cpqam.fiocruz.br.

Fonte: Jornal do Commercio

Compartilhe:

Deixe um comentário

Fique por dentro

Notícias relacionadas