Até julho, Pernambuco passa por um período de maior circulação do vírus sincicial respiratório (VSR), principal responsável por infecções respiratórias e hospitalizações de crianças com menos de 2 anos. Nessa faixa etária, há um grupo que tem risco maior de desenvolver complicações sérias pelo VSR: os bebês prematuros, especialmente aqueles que nascem antes de a gestação completar 29 semanas (ou 7º mês de gravidez). São eles que estão mais suscetíveis a desenvolver bronquiolite e pneumonias por causa da imaturidade do sistema imunológico e respiratório.
Para alertar sobre prevenção dessas complicações, a Secretaria de Saúde (SES) anuncia que dez serviços no Estado oferecem gratuitamente (mediante prescrição médica) a aplicação do palivizumabe – um tipo de anticorpo pronto que induz a imunização passiva específica contra o VSR. O vírus infectou em Pernambuco, pelo menos, 100 pessoas em 2015 e outras 47 em 2016, segundo dados da secretaria. Metade desses casos corresponde ao adoecimento grave de crianças com menos de 2 anos.
Apesar de o Estado oferecer o palivizumabe gratuitamente a prematuros nascidos com idade gestacional menor ou igual a 28 semanas, boa parte desses bebês chega a não receber as aplicações. No ano passado, apenas 212 dos 955 nascidos vivos nessa faixa etária receberam o produto. “Dos dez serviços que oferecem a aplicação do palivizumabe, há dois que ainda não fizeram pedidos do produto, o que já era para ter acontecido. As famílias com bebês que nasceram antes de 29 semanas devem ligar para um dos polos (telefones no quadro à direita) e fazer um agendamento”, orienta a pediatra Madalena Monteiro de Oliveira, da Gerência de Saúde da Criança e do Adolescente da SES.
Também responsável pela Vigilância Epidemiológica do Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira (Imip), a pediatra ressalta que os prematuros nascidos com menos de 29 semanas que não recebem o palivizumabe, nos meses de maior circulação do VSR (entre fevereiro e julho), correm o risco de ter infecções respiratórias graves. “O pediatra deve fazer a recomendação do anticorpo nesses casos. Essa proteção pode evitar não só adoecimentos, mas também internações e mortes.”
Os filhos gêmeos da professora de ciências do ensino fundamental Natália Freire Barros, 33 anos, precisaram receber a aplicação do anticorpo porque nasceram na 27ª semana de gestação. “Ainda na UTI, Arthur e Bernardo, hoje com 1 ano e 8 meses, tomaram duas doses. Quando tiveram alta hospitalar, receberam mais três aplicações. Felizmente eles nunca tiveram complicação respiratória grave. Os anticorpos serviram para protegê-los da imunidade baixa decorrente da prematuridade extrema”, conta Natália. Eles receberam o palivizumabe no Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Pernambuco, que disponibilizou o produto até os meninos completarem 1 ano. “Foi tranquilo conseguir na rede pública. Se não fosse assim, o custo seria muito alto.” O preço de fábrica, segundo o laboratório Abbott, é a partir de R$ 2.651,25 (50 mg) e de R$ 5.232,50 (100 mg). São recomendadas doses mensais até se completar, no máximo, cinco aplicações.
Fonte: Jornal do Commercio



