Único estado brasileiro com foco ativo da filariose – elefantíase, como é popularmente conhecida – Pernambuco está prestes a dar um passo importante para a eliminação da transmissão da doença. Em 2003, a cada 100 mil pessoas examinadas pela Secretaria Estadual de Saúde, mil estavam infectadas no estado. Dez anos depois, um único caso foi identificado nos mais de 98 mil indivíduos examinados. Em setembro, a SES dá início a um estudo de verificação da transmissão e se aproxima da meta da OMS (Organização Mundial da Saúde) de eliminar a doença do planeta até 2020.
Em março deste ano, a SES recebeu uma capacitação da Opas (Organização Pan-Americana da Saúde), representante da OMS no Brasil, e a partir de setembro começa a colocar em prática a metodologia que vai atestar o controle da doença em Pernambuco. Embasada pelo TAS (Transmission Assessment Surve – Estudo da Avaliação da Transmissão, em português) a secretaria vai examinar cerca de 5 mil crianças entre de 5 e 6 anos no Recife, Olinda e Jaboatão dos Guararapes e verificar se ainda há transmissão ativa da doença no estado. O resultado da avaliação ajudará a compor um dossiê, que será apresentado à OMS para que, posteriormente, possa certificar o controle da transmissão da doença no país. “As crianças foram escolhidas porque são um grupo da população que se espera que seja o mais representativo daquela localidade. Um adulto, se encontrado positivo num determinado bairro, pode ter morado em vários outros bairros e aquele caso não ser representativo daquela região”, explica o coordenador do Sanar, Alexandre Menezes.
Os resultados são frutos de um esforço de mais de uma década. Durante 12 anos, a Secretaria de Saúde – seguindo as recomendações da OMS para o enfrentamento à filariose – realizou um tratamento massivo, medicando anualmente (durante cinco anos) todas as pessoas de 34 bairros identificados como foco da doença.
Paralelamente ao serviço de saúde, larvicidas químicos, biológicos e inseticidas foram usados no controle do moquisto transmissor. Em 2011, com a criação do Sanar (Programa de Enfrentamento às Doenças Negligenciadas), a secretaria deu início ao processo de avaliação das ações realizadas anteriormente, com um levantamento da ocorrência da doença nos indivíduos já medicados – com mais de 100 mil testes realizados por ano – e exames em mais de 16 mil amostras de mosquitos nos bairros mais problemáticos.
O processo contou com a orientação e análise da Fiocruz Pernambuco, que participou de todas as etapas do enfrentamento. “Não damos nenhum passo sem a capacitação e o apoio técnico da Fiocruz. Todas as nossas atividades passam necessariamente pelo centro de pesquisa, que é uma referência para a filariose nas américas”, explicou Menezes.
Saiba mais
Em Pernambuco
2003
De cada 100 mil pessoas, mil estavam infectadas
2013
Das mais de 98 mil pessoas examinadas, apenas uma apresentava a doença
O que é?
A filariose é uma doença tropical infecciosa. No Brasil é transmitida pela picada da muriçoca, como é conhecida popularmente a fêmea do mosquito mosquito Culex quinquefascitus
Primeiros sintomas
A doença pode passar muito tempo sem manifestar os sintomas. Quando manifesta, os primeiros são geralmente processos inflamatórios como febre, dor de cabeça, náusea e vermelhidão ao longo do vaso linfático
Evolução
A evolução da filariose é lenta. De 10% a 15% dos casos vão apresentar elefantíase após 10 a 15 anos de infecção. Com a elefantíase, as áreas com edemas linfáticos tendem a endurecer e apresentar inchaço exagerado.
Fonte: Diario de Pernambuco



