Segundo André Longo, há possibilidade do surgimento de casos mais graves da doença com a volta da circulação do vírus que havia sido identificado no estado pela última vez em 2017.
A Secretaria Estadual de Saúde (SES) identificou um tipo de vírus da dengue que voltou a circular em Pernambuco. Nesta quinta-feira (27), em entrevista à TV Globo, o secretário André Longo explicou que mais pessoas estão suscetíveis ao tipo 2 do vírus e há possibilidade do surgimento de casos mais graves da doença com a volta dessa circulação. (Veja vídeo)
“Isso é preocupante, porque esse vírus não circulava aqui em Pernambuco. O isolamento foi em Custódia [no Sertão] e a gente está tendo índices maiores de dengue nessa região. Hoje temos que redobrar os cuidados em relação à proliferação”, afirma.
De acordo com a SES, há quatro tipos identificados de vírus da dengue. O tipo 2 foi detectado pela última vez em 2017 em pacientes no estado, mas voltou a aparecer em maio deste ano. Como essa tipificação passou mais tempo sem ser detectada, o secretário pede que a população reforce a prevenção para evitar novos casos.
“Há relatos de que, em outros momentos em que o vírus 2 circulou, a gente tinha casos mais graves de dengue, inclusive a chamada dengue hemorrágica. Precisamos tomar cuidado porque há mais pessoas suscetíveis ao tipo 2 aqui em Pernambuco porque não têm imunidade a esse tipo, então esses casos podem ser de maior gravidade”, declara.
Os cuidados, segundo Longo, podem começar de casa. “A gente sabe que a maior parte dos criadouros está dentro dos domicílios, então é reforçar o cuidado da população para que a gente possa evitar a proliferação do mosquito [Aedes aegypti]”, diz.
Dados
De janeiro até 22 de junho, a SES registrou um aumento de mais de 100% dos casos de doenças provocadas pelo Aedes aegypti, as chamadas arboviroses, em relação ao mesmo período em 2018. O ano de 2019 acumula 31.187 suspeitas de dengue, 4,1 mil de chikungunya e 2.186 de zika.
No ano passado, o estado registrou 14.303 notificações de dengue, 1.979 de chikungunya e 714 de zika. O comparativo entre os dados dos dois anos mostra aumentos de 118%, 107,2% e 206,2, respectivamente.
De acordo com a secretaria, até o dia 22 de junho de 2019, foram confirmados em Pernambuco 6.148 casos de dengue, 183 de chikungunya e 43 de zika. O número de confirmações de arboviroses no estado no mesmo período em 2018 não foi divulgado pela pasta.
Outros problemas
Com as reclamações constantes sobre a falta de remédios na Farmácia do Estado, inclusive de pacientes transplantados, André Longo explica que o estado tem se esforçado para manter os estoques abastecidos, mas menciona que há dificuldades para atingir essa meta devido ao fluxo mensal de entrada de novos pacientes que buscam medicamentos.
“Um mil novos pacientes têm entrado por mês na farmácia. Em paralelo, saem 200, 250 que não precisam. Então tem sido um desafio logístico muito grande, por conta dessa alta rotatividade e da entrada constante de pacientes”, afirma.
Segundo um alerta de responsabilização emitido pelo Tribunal de Contas do Estado, o governo deve assegurar, no mínimo, 80% de estoques de produtos que são fornecidos gratuitamente à população. A medida deve ser tomada até o dia 31 de julho.
“Temos uma série de providências […] independente até dessa recomendação do Tribunal de Contas do Estado. Fizemos uma ampla negociação com fornecedores para pagamento de débitos antigos e assumimos o compromisso de fazer o pagamento dessas novas entregas para que a gente possa ter até mais do que essa meta”, diz Longo.
Ele também reconhece a superlotação em hospitais como o Otávio de Freitas e o Getúlio Vargas, no Recife. Por diversas vezes, a reportagem da TV Globo mostrou corredores lotados e, segundo pacientes, os médicos demoram cerca de dois dias para fazer o primeiro atendimento.
“Nós temos feito um esforço para recompor as equipes desses hospitais. […] Nesses quatro anos e meio, o governador Paulo Câmara chamou 7,2 mil profissionais para recompor essas equipes. […] Eu desconheço essa informação de que um paciente chegou numa grande emergência nossa passou dois dias para ser atendido”, diz o secretário.
Além da contratação de novos profissionais, Longo explica que a superlotação pode ser resolvida com a criação de leitos de retaguarda. “Estamos trabalhando na criação desses leitos e no fortalecimento da atenção no interior do estado para que pacientes venham do interior para a capital”, declara.
Ainda sobre as unidades de saúde do Recife, o secretário afirma que a obra no Hospital Agamenon Magalhães, iniciada em 2013 para ser entregue em 2014 e parada em 2015, tem nova data de prosseguimento. “Será retomada em agosto e entregue em abril do ano que vem”, diz.
Fonte: G1



