‘Pernambuco tem baixíssimo risco de transmissão da febre amarela’, diz secretário de Saúde

ARTIGO

Por Iran Costa, secretário de Saúde de Pernambuco
Artigo publicado originalmente na página de Opiniões Jornal do Commercio de 21 de janeiro de 2018

Em 1937, a partir de um surto de febre amarela em Salvador e alastrado para o Brasil, foram criados os primeiros protocolos de combate à doença, o que culminou com o desenvolvimento da primeira vacina e com a eliminação da febre amarela urbana no País em 1942. Mas a doença de ciclo silvestre manteve-se presente na Região Amazônica de forma endêmica. No ano passado, o Ministério da Saúde foi notificado pelo Estado de Minas Gerais da ocorrência de casos de febre amarela silvestre. Desde então, o País convive com uma epidemia, afetando os estados de MG, ES, SP, RJ e BA. No entanto, Pernambuco, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), com confirmação de técnicos do Ministério da Saúde e da Secretaria Estadual de Saúde, tem baixíssimo risco de transmissão da febre amarela. O Estado não tem a circulação do vírus até o presente momento e não registra casos confirmados há cerca de 90 anos. Além disso, as autoridades sanitárias do nosso Estado estão atentas e vigilantes.

Desde fevereiro de 2017, por determinação do governador Paulo Câmara, a Secretaria Estadual de Saúde tem realizado uma série de ações para prevenir, investigar e responder, de imediato, a qualquer suspeita de febre amarela. A Secretaria de Saúde implantou a vigilância de primatas não humanos em todo o Estado, com o objetivo de detectar precocemente a circulação do vírus. Desde 2017, foram 36 ocorrências em macacos, sem nenhum resultado positivo para a febre amarela. Além disso, houve a capacitação de médicos no manejo da doença e orientação aos profissionais dos municípios sobre as diretrizes de vigilância e vacinação. Tudo isso prepara o Estado para realizar todas as medidas necessárias, caso haja alguma suspeita ou confirmação.

Nos últimos dias, foram notificados e estão sendo investigados para febre amarela dois pacientes, que já receberam alta médica. Todavia, é pouquíssimo provável que ambos tenham sido infectados com a febre amarela. Eles tiveram apenas sintomas brandos, como dores na cabeça e no corpo, e o segundo já havia sido vacinado – o que, de acordo com os protocolos internacionais da doença, já seria suficiente para descartá-lo como febre amarela. Essas investigações só ressaltam que a rede de saúde do Estado está sensível para detectar a ocorrência de um possível caso.

A divulgação dos casos suspeitos e da situação do Sudeste do País levou a uma grande procura pela vacina contra a febre amarela nos postos de saúde. Mas é preciso alertar que o imunizante só deve ser aplicado, em Pernambuco, nas pessoas que vão viajar para as áreas do País, ou fora dele, onde há a circulação do vírus dessa doença. O Estado está devidamente abastecido da vacina contra febre amarela para o público que tem indicativo para o uso e todas as medidas sanitárias exigidas já estão sendo conduzidas.

Fonte: Casa Saudável (JC)

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