Em Assembleia Geral nesta quinta-feira (25), os médicos do Serviço de Atendimento Móvel e Urgência (Samu) e Hospital de Urgências de Traumas (HUT) de Petrolina decidiram intensificar a mobilização e cobrar dos gestores públicos melhores condições de trabalho, reajuste salarial e concurso público. A assembleia dos profissionais de saúde, sob a coordenação dos diretores do Simepe, Silvio Rodrigues e Tadeu Calheiros, aconteceu à noite, no auditório da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf). O delegado regional do Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe), Antônio Leite também esteve presente à reunião e apresentou o relatório de fiscalização no Samu.
Os principais problemas do Samu em Petrolina são bem conhecidos, como a escassez de ambulâncias – apenas duas unidades estão circulando na cidade, uma básica e outra avançada. Além de escassez de macas, uniformes velhos, acomodações precárias (colchões rasgados e sem lençóis), contratos de trabalho precários, falta material básico de higiene e total falta de segurança no local. O portão fica aberto e qualquer um pode entrar. Funcionários já foram ameaçados por familiares de pacientes.
Precariedades
O diretor de Imprensa do Simepe, Silvio Rodrigues disse que o Samu já foi interditado pelo Cremepe em 2012, segundo a resolução nº11/2012, em decorrência da insuficiência de médicos reguladores, e médicos plantonistas, expondo os pacientes a risco de vida. Um acordo foi firmado com a Prefeitura de Petrolina, porém nada mudou. “A falta de comunicação entre os profissionais, a estrutura local precária e a falta de equipamentos, materiais são alguns dos problemas enfrentados pelos colegas que trabalha no serviço. Não há uma área adequada para o descanso dos médicos e as ambulâncias sequer possuem ar condicionado expondo os profissionais a altas temperaturas”, ressaltou.
O salário dos médicos que trabalham no Samu, em Petrolina, é considerado o pior do Estado. De acordo com o diretor jurídico do Simepe, Tadeu Calheiros, os baixos salários que a cidade oferece fazem com que os profissionais não tenham mais interesse em trabalhar no Traumas ou no Samu. Essa questão fica mais evidente ainda no serviço móvel, já que não há mais escalas fixas devido a falta de médicos. Enquanto em Juazeiro um médico recebe entre R$ 8 mil e 10 mil, em Petrolina o salário é de apenas R$ 6 mil. Por sua vez, os médicos residentes de Clinica Médica, Cirurgia Geral e Ortopedia do HUT, informaram que estão sendo prejudicados na formação devido a falta de exames e materiais básicos na unidade.
Interdição ética
Por conta dos problemas e dificuldades, o Samu corre risco de sofrer nova interdição ética pelo Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe). “Depois da fiscalização realizada em 05/04/13, o Conselho enviou um documento à Secretaria de Saúde, solicitando uma solução urgente para os problemas. Caso não seja resolvido, o Samu corre risco de sofrer nova interdição ética o que vai prejudicar os médicos e, sobretudo, à população ”, assinalou Silvio. Em relação ao HUT, o Simepe vai denunciar as irregularidades administrativas e trabalhistas aos Ministérios Públicos do Trabalho e Estadual.
O Simepe vai encaminhar denúncia aos Ministérios Público do Trabalho (MPT), Federal e Estadual, sobre a precariedade dos vínculos de trabalho existentes nas duas unidades de saúde. Nova assembleia geral: dia 8 de maio, às 19h, no auditório da Univasf, para avaliação e deliberação do movimento.



