Daqui a 30 anos os planos de saúde ficarão impagáveis para a realidade do bolso do brasileiro. A projeção pessimista é do Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor) quando compara o índice acumulado de reajuste dos planos com a inflação medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo). Ao somar os reajustes anuais das mensalidades e por faixa etária, aplicados para um usuário de 30 anos, o Idec chega ao percentual de 296% de aumento quando ele completar 60 anos. Conclusão: a renda da aposentadoria será insuficiente para bancar a assistência à saúde privada.
A pesquisa do Idec tem como base os reajustes anuais acumulados dos planos de saúde e o IPCA no período de dez anos (2002 a 2012). Enquanto a inflação acumulou alta de 101,89%, os planos subiram 140,01%. Segundo Ione Amorim, economista do Idec, o usuário com 30 anos compromete 28% da renda atual para pagar o convênio médico. Pelas projeções, em 2042 o desembolso com o plano de saúde levará 70% do salário. O levantamento só inclui os planos individuais e familiares contratados a partir de janeiro de 1999.
“É urgente a mudança na metodologia dos reajustes dos planos de saúde. À medida que a população envelhece, perde a capacidade de pagamento”, alerta a economista. O presidente regional da Abramge (Associação Brasileira das Empresas de Medicina de Grupo) Flávio Wanderley, contesta a pesquisa. Em sua opinião, o reajuste das mensalidades está aquém dos aumento dos custos operacionais das operadoras. “A válvula de escape para o sistema não implodir é concentrar o mercado nos grandes players”.
A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) argumenta que os índices de inflação medem a variação de preços dos insumos de diversos setores. Enquanto o índice de aumento dos planos é composto por uma variação de custos, que incluem a utilização dos serviços e a incorporação de novas tecnologias. A agência reguladora destaca ainda que o rendimento mensal do trabalho vem crescendo acima dos índices de reajuste autorizados pela ANS.
Não é o que pensam os consumidores. O advogado Vicente Roque, 60 anos, entrou no plano de saúde em 2005 pagando R$ 284 e a mensalidade subiu para R$ 540,08. Um reajuste de 76,44%. “O aumento é abusivo. Entrei com uma ação na Justiça e consegui manter o percentual legal de 11,75%. Acredito que esse problema existe porque os órgãos de defesa do consumidor não aplicam as penalidades legais”, conclui.
Fonte: Diario de Pernambuco



