Planos de saúde vão mudar

Rio de Janeiro – Após a saída de 1,5 milhão de beneficiários de planos de saúde na modalidade médico hospitalar no Brasil, fica a questão: qual o futuro do serviço? A resposta é difícil de ser elaborada, porque envolve muitos fatores. A única coisa certa é que quem o mantiver vai sentir o impacto da crise da saúde suplementar. A consultoria Towers Watch prevê aumento de 18% na mensalidade dos segurados em 2017 no País. Para elaborar medidas de modificação do sistema atual, membros do setor se reuniram no 2º Fórum da Saúde Suplementar, que começou ontem e termina hoje no Rio de Janeiro.

A Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde) mostra, no relatório Indicadores Econômico-financeiros e de Beneficiários – 12ª Edição, o tamanho do problema. As operadoras faturaram R$ 156,7 bilhões no ano terminado em julho de 2016. Na contrapartida, tiveram despesas na ordem de R$ 155,7 bilhões no mesmo período, com 1,4% de avanço. De janeiro a setembro deste ano, 31 operadoras médico-hospitalares e 18 odontológicas saíram do mercado.

O plano do tipo empresarial, voltado para trabalhadores, registrou queda de 3,2% em doze meses, passando de 33,2 milhões em setembro de 2015 para 32,1 milhões no mesmo mês de 2016. Um dos motivos do recuo é o alto índice de desemprego, estimado em 11,8% em outubro deste ano, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A saída em massa dos planos impacta as operadoras, mas não é a única razão a influenciar a alta dos preços. “São levados em consideração vários fatores para calcular a inflação médica, como a incorporação de tecnologias, inflação dos produtos, frequência de usuários e outros. Os desperdícios e fraudes são responsáveis por 30% dos custos”, afirma a presidente da FenaSaúde, Solange Beatriz Mendes. “O cenário para 2017 é preocupante. Precisamos de políticas públicas de importação e tributação, por exemplo”, finaliza.

Entre as políticas pensadas pelo Ministério da Saúde, está a proposta dos planos de saúde populares. Atualmente, um grupo de estudos composto por membros de associações de planos de saúde, defesa do consumidor e médicas discutem o tema. Segundo o ministério, 24 entidades participam do grupo de trabalho e já realizaram cinco reuniões.

Uma delas é a FenaSaúde. A proposta da instituição é de ofertar planos com cobertura ambulatório-hospitalar, que observem a regionalização e possuam rede hierarquizada. Segundo esse modelo, o beneficiário teria um coordenador de saúde, uma espécie de médico clínico geral, que encaminharia o paciente para outros médicos. O cliente teria direito a uma segunda opinião de especialista.

O prazo para conclusão das atividades do grupo foi prorrogado por mais 60 dias. No fim, a Agência Nacional de Saúde Suplementar vai avaliar a pertinência do projeto e a possível implementação. O órgão regulador compartilha a ideia de que o sistema de saúde suplementar não pode continuar engessado, ou seja, igual para todos. Por isso, a ANS realiza grupos de estudos para implantar mudanças nos planos.

Uma das possibilidades estudadas é a adoção de coparticipação no pagamento ou franquia – aquela em que o plano pagaria qualquer procedimento mais caro do que o valor mensal pago pelo beneficiário, os chamados grandes riscos. A previsão é de que a regulamentação saia até o fim de março.

A coparticipação, hoje, é usada para procedimentos. Já a franquia é permitida em casos de internação. Há muitos modelos de franquia e coparticipação no mundo. Estamos estudando se podem ser adaptados à realidade brasileira”, explica a diretora de desenvolvimento setorial da ANS, Martha Oliveira. A previsão é de que em procedimentos com coparticipação de 20%, no valor total da mensalidade, a redução seja de 20% a 25%.

Durante o fórum, o sub-secretario de Saúde do Rio de Janeiro defendeu que não é mais possível pensar nos sistemas públicos e privados de saúde separadamente.

Fonte: Jornal do Commercio

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