PM proibida de socorrer vítimas

SÃO PAULO (AE) – Uma resolução da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo publicada ontem no Diário Oficial do estado determina que pessoas feridas em confronto com a polícia só poderão ser socorridas por equipes de resgate, como o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). A medida também altera a classificação das ocorrências envolvendo mortos pela polícia de “resistência seguida de morte” para “morte decorrente de intervenção policial”.

Segundo o secretário de Segurança, Fernando Grella Vieira, a meta é garantir atendimento especializado para pessoas com ferimentos graves, assim como já ocorre no trânsito. A medida busca também liberar a mão de obra de policiais militares para preservar a cena do crime. “É uma tarefa importante para garantir a qualidade das investigações e evitar que provas sejam apagadas”, afirmou

Outro benefício é evitar violência cometida por PMs enquanto supostamente atendem vítimas. Como o caso desvendado pela Corregedoria na últimasexta-feira, que levou à prisão de seis policiais acusados de executar três jovens depois de serem colocados em uma viatura. A proibição do uso do termo “resistência seguida de morte” é fundamentalmente “simbólico”, segundo Grella. “Sinaliza que estamos dispostos a investigar, antes de definir que o caso foi uma resistência”.

Diretor do Samu na capital, Luiz Carlos Wilke afirmou ontem que o atendimento de feridos em confrontos já é realizado atualmente e o impacto da resolução será pequeno na demanda diária. “O policial faz a ‘reboqueterapia’. Enfia a vítima na viatura e leva para o hospital mais próximo, mas de que adianta eu levar alguém que levou um tiro na cabeça para um lugar onde não tem neurocirurgião? Levando o paciente para o lugar certo, horas e horas de atendimento são ganhas”, afirmou. Ele garante que suas equipes estão preparadas para atender em até dez minutos uma ocorrência grave na capital. Ele explicou também que os profissionais do Samu seguem um protocolo para que não seja prejudicado o local do crime.

Fonte: Folha de Pernambuco

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