Polícia investiga queda e morte no HR

A Polícia Civil começou a investigar se houve negligência por parte dos funcionários no trato com o paciente que se jogou do quinto andar do Hospital da Restauração, a maior emergência do Norte/Nordeste, em plena madrugada de ontem. A principal suspeita é de suicídio. O caso foi registrado às 2h, no momento em que Fábio Júnior da Silva, 25 anos, pulou de uma janela, do tipo basculante, localizada no banheiro do 5° andar, onde havia se trancado momentos antes. Fábio morreu na hora da queda. Segundo a direção do hospital, casos suspeitos de suicídio ou de transtorno mental como esse recebem mais vigilância por parte da equipe de enfermeiros e médicos. No entanto, a direção alegou que o paciente teve respeitada sua privacidade na hora de ir ao banheiro.
Fábio Silva foi levado ao HR com um ferimento na cabeça que deixou à mostra a caixa craniana e que teria sido provocado por uma tentativa de suicídio. Além disso, ele tinha traumatismo crânio-encefálico leve. Depois de ser atendido na sala de cirurgia, foi encaminhado à enfermaria, onde aguardava alta. Mostrando desequilíbrio, ele falava todo o tempo que era perseguido por Satanás. 

“O procedimento normal em casos semelhantes é redobrar a vigilância sobre o paciente e depois encaminhá-lo a uma unidade de apoio psiquiátrico, como o Hospital Ulysses Pernambucano, na Tamarineira. No local, a pessoa recebe o parecer do médico psiquiatra, que decidirá pelo acompanhamento ambulatorial ou pela internação”, explicou o diretor do HR, Miguel Arcanjo. O diretor acrescentou, no entanto, que a equipe de atendimento médico não pode invadir a privacidade do paciente e entrar no banheiro junto com ele. Nenhuma das janelas do hospital tem grades.

Investigação

O perito do Instituto de Criminalística (IC) André Amaral afirmou que a hipótese de homicídio foi descartada. “A porta do banheiro estava trancada por dentro e não havia nenhum sinal de arrombamento. Além disso, no corpo também não havia nenhum sinal de luta corporal”, afirmou.

De acordo com a delegada titular da Delegacia do Espinheiro, Silvana Carla, no inquérito serão ouvidos funcionários do hospital, familiares e o médico responsável pelo procedimento cirúrgico. “Estamos trabalhando com a hipótese de suicídio, mas será investigada se houve negligênciapor parte dos funcionários na guarda do paciente”, disse. Caso a suspeita seja confirmada, pode haver indiciamento por homicídio culposo.

Através de nota divulgada à imprensa, o HR informou que estava à disposição da família do paciente e das autoridades policiais e judiciárias para esclarecimentos. Ontem, a equipe de serviço social da unidade procurou a família do paciente para comunicar o que havia acontecido. A mãe de Fábio estava no trabalho quando recebeu a ligação da equipe do HR.

Fonte: Diario de Pernambuco

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