O Recife tem cerca de 800 armadilhas espalhadas pela prefeitura para capturar o mosquito Aedes aegypti. Usadas há 50 anos em vários países, as chamadas ovitrampas são um método simples que ajuda especialistas e pesquisar sobre o transmissor da dengue, zika vírus e chikungunya e controlar a epidemia. Hoje, uma parceria entre o município e o Porto do Recife vai distribuir 92 armadilhas em uma área de 511 mil metros quadrados.
Os equipamentos são garrafas pet pintadas de preto que simulam o ambiente ideal para a proliferação do mosquito. Dentro da garrafa, é colocada água parada e larvicida biológico, além de uma palheta de folha de Eucatex na qual as fêmeas depositam os ovos.
As ovitrampas serão colocadas pela equipe de Vigilância Ambiental da Secretaria Municipal de Saúde em toda área do porto. A cada 15 dias, haverá uma contagem dos ovos no laboratório do Centro de Vigilância Ambiental do Recife. Com o diagnóstico, serão emitidos relatórios que vão nortear a realização de medidas de controle em toda a área, incluindo ações educativas para trabalhadores e visitantes.
Medições realizadas durante pesquisas da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) apontaram que 90% dos ovos encontrados nas ovitrampas são de Aedes aegypti, o que mostra que a alternativa é a mais específica para a espécie. O órgão também realizou um estudo com três tipos de armadilha, que apontou as ovitrampas como as mais adequadas. Esse tipo de equipamento está sendo usado ainda em um projeto de contenção da epidemia do mosquito com uso de energia nuclear no arquipélago de Fernando de Noronha.
Ponto estratégico
A região portuária do Recife foi escolhida para a distribuição das ovitrampas pela sua extensão territorial e pela movimentação diária que recebe. O perímetro, que compreende atrações como Museu Cais do Sertão, o Centro de Artesanato e os bares e restaurantes da região de lazer, tem forte circulação de pessoas e cargas. Na temporada 2015/2016 de cruzeiros marítimos, por exemplo, cerca de 30 mil viajantes, divididos em 25 navios, passaram pelo local. O porto tem 160 funcionários, além de trabalhadores de outras 19 empresas, que totalizam cerca de 1,5 mil pessoas.
O mais recente boletim epidemiológico da capital pernambucana mostrou que o Bairro do Recife apresentou um coeficiente de incidência de arboviroses equivalente 48,23 por 10 mil habitantes, o que coloca a região entre as mais afetadas pelo problema.
Fonte: Diario de Pernambuco



