A possível modificação do modelo atual de gestão do Hospital das Clínicas (HC), ligado à Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), está revoltando os técnicos administrativos e toda a comunidade acadêmica do local, que ontem cruzaram os braços como forma de protesto. Durante todo o dia, serviços na unidade funcionaram de forma lenta, como as marcações de exames e consultas médicas. No ato, cerca de 150 servidores caminharam do HC até a reitoria da universidade para entregar um documento, contendo reivindicações da categoria, ao reitor da universidade, Anísio Brasileiro.
A principal indignação é com relação à possível contratação da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), que se tornaria a responsável pela administração da unidade. O coordenador de comunicação do Sindicato dos Trabalhadores das Universidades Federais de Pernambuco (Sintufepe), Guilherme Costa, alega que a contratação da empresa iria retirar a autonomia do HC e prejudicar tanto a carreira dos servidores quanto à formação dos estudantes da área de saúde. “Os serviços vão ser terceirizados. Além disso, com a Ebserh, os pacientes conveniados a planos de saúde privados poderão ser atendidos, dificultando ainda mais o serviço aos mais necessitados”, informou.
Segundo Costa, a categoria pede, fora a não contratação da empresa, o afastamento imediato da gestão atual, a realização das eleições administrativas da unidade e o ajuste na carga horária dos funcionários para 30 horas semanais, como prometido pelo reitor durante campanha eleitoral. “O HC hoje enfrenta um verdadeiro caos e a administração é conivente. Hoje temos elevadores quebrados há anos e pessoas dormindo no chão do hospital para conseguir uma consulta”, reforçou.
O servidor do centro de Educação da UFPE, Lenilson Santana, 53, reclama que não houve diálogo com a academia e nem com a sociedade. “O que eles querem fazer é privatizar o hospital universitário sem escutar a opinião das pessoas. Isso não pode acontecer”, opinou.
Conforme o diretor superintendente do HC, George Telles, desde que o Programa Nacional de Reestruturação dos Hospitais Universitários Federais (Rehuf), ligado ao Ministério da Educação (MEC), foi instituído, melhorias na unidade foram realizadas. “Hoje, dos 45 hospitais universitários do Brasil, 30 já contrataram a Ebserh. Isso é uma determinação do MEC, e está dentro do programa nacional”, revelou o diretor. Segundo ele, a contratação é necessária para suprir a defasagem no quadro de profissionais. “Hoje temos uma ala para emergência com 80% dos equipamentos garantidos. Mas não temos recurso humano. Precisamos de 400 profissionais e essa contratação somente pode ser feita através da empresa”, pontuou.
O diretor do HC enfatiza que, caso o conselho universitário aprove a adesão da Ebserh, o concurso público vai continuar e que os estudantes da área de saúde não serão prejudicados. “Pelo contrário, eles vão poder aprender mais, já que o hospital iria funcionar 24 horas. Vale ressaltar também que o atendimento vai continuar sendo 100% pelo Sistema Único de Saúde (SUS)”, acrescentou. Segundo Telles, a expectativa é que o conselho se reúna em 30 dias.
Fonte: Folha de Pernambuco



