Postos de saúde sem médicos em Olinda

O filho da dona de casa Cleonilda José de Santana, 25 anos, nasceu com seis dedos em cada mão. Para corrigir a má-formação congênita, chamada de polidactilia, a criança de 2 meses tem que passar por uma cirurgia reparadora no Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira (Imip). Mas, até agora, a mãe não tem ideia de quando o procedimento será realizado. Moradora do Alto da Conquista, em Olinda, no Grande Recife, ela precisa do encaminhamento do médico do posto de saúde que atende o bairro. Mas esbarra na falta de profissionais no município. De acordo com a prefeitura, das 59 equipes de saúde da família, 16 estão sem médicos, o que significa 27% do total.

“O Imip só faz a cirurgia com a requisição daqui. Esse posto tem duas equipes, mas uma está sem médico há quase dois anos. E não adianta procurar a médica da área 1 porque ela não atende quem é da área 2. O jeito é esperar chegar um médico”, disse Cleonilda, resignada.

A dona de casa Maria Imaculada da Silva, 62, era uma das mais revoltadas na última terça-feira, quando o JC visitou o posto do Alto da Conquista. “A comunidade tem dezenas de pacientes acamados e sem condições de locomoção, que ficam jogados à própria sorte. Quando a gente quer médico, tem que ir à Policlínica São Benedito, em Beberibe. É um absurdo”, reclamou.

A atendente do posto do Alto da Conquista confirma a falta de profissionais. “A única médica que tem faz clínica geral, pediatria, visita na casa de quase mil famílias. É muita coisa. Não tem ainda como atender outra área”, explica a moça, já acostumada com queixas da população.

Incomodada com a presença da reportagem, a gerente do posto, Renata Enéria, por telefone, minimizou o problema. “Um concurso já foi realizado e alguns profissionais foram chamados. Só que ainda não estão exercendo”, disse ela.

Além da unidade do Alto da Conquista, a reportagem visitou outros três postos de saúde de Olinda. Apenas um, o de Jatobá, tem médico. Mas, até outubro do ano passado, não contava com profissional.

Na Vila Manchete, há apenas uma equipe de saúde da família, formada há mais de um ano só por enfermeira e técnicos em enfermagem.

“Meu pai está muito doente. Há cinco meses, ele fez exames, mas não tem médico para eu mostrar o resultado. Logo mais ele vai ter que fazer outros exames, porque esses, de tão velhos, não vão mais servir”, protestou Rosineide Barbosa, 40, moradora da vila.

DIFICULDADE

A falta de médicos para o Programa de Saúde da Família (PSF) se estende a quase todos os municípios. No Grande Recife, Jaboatão dos Guararapes e Cabo de Santo Agostinho também sofrem com a ausência de profissionais, mas numa proporção menor do que Olinda, cujo orçamento é bem menor. Na primeira cidade, das 80 equipes, seis estão incompletas. No Cabo, das 37 unidades de saúde, nove não possuem médicos.

Fonte: Jornal do Commercio

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