Por meio nota da assessoria de imprensa, a Prefeitura de Bodocó (Sertão do Araripe) negou “omissão” no caso do cárcere privado de um deficiente mental na Zona Rural do município. Segundo o documento, a prefeitura admite que conhecia o problema desde 2006, mas que o havia informado ao Ministério Público de Pernambuco (MPPE) pedindo providências. A gestão municipal também culpou o pai do deficiente, o aposentado Francisco de Castro Andrade, de 70 anos, de “forte resistência em aceitar que o filho receba o tratamento adequado, o que dificulta o trabalho dos profissionais do município”.
O cárcere privado foi flagrado pela Carvana Cremepe/Simepe no segundo dia de atividades do projeto, na terça-feira 23 de agosto. A equipe 1 da Caravana constatou que Adão Castro de Andrade, de aproximadamente 35 anos, vivia preso em um casebre conjugado à casa onde mora o pai dele com a mulher e outros 12 filhos. A prefeitura, porém, se pronunciou apenas nessa quinta-feira (01/09), através de uma “nota de esclarecimento” enviada ao Cremepe por e-mail.
A gestão afirma que Adão recebeu acompanhamento médico em 2004. Mas como fora constatado que ele sofria de retardo mental, e não de distúrbios mentais, “ele não seria assistido pelo Centro de Atenção Psicossocial (CAPS)”. A nota, porém, não informa se foi oferecido à família outro encaminhamento médico.
“Sendo assim, tornamos público que o município de Bodocó não se isentou em momento algum de sua responsabilidade e prestou assistência à família, sobretudo, a Adão Castro de Andrade”, diz a nota.
A gestão também afirma que representantes das Secretarias Municipais de Desenvolvimento Social, da Mulher e da Igualdade Racial; Saúde e Educação, além do Conselho Tutelar do município, “prestaram todos os esclarecimentos do caso e apresentaram provas concretas ao promotor de Justiça de Bodocó, Adriano Camargo” na última quarta-feira (31/08).
EDUCAÇÃO
O município também procura justificar uma situação encontrada pela Caravana na casa do aposentado Francisco Castro: três filhos dele, menores de 6 anos, não freqüentavam a escola. A assessoria confirma o fato, mas afirma que eles “não estão matriculadas devido à faixa etária delas não estar de acordo com a Lei nº 9.694/96 de Diretrizes Básicas”.
Diante das informações da assessoria do município, a presidente do Cremepe, Helena Carneiro Leão, que presenciou o fato em Bodocó, informou que vai aguardar o desfecho da apuração do caso pelo promotor de Justiça Adriano Camargo. O representante do MPPE, ao receber do Cremepe um pedido de investigação, informou que iria recomendar ao município assistência médica e social a Adão e à família.
“A Caravana em sua sétima edição cumpre mais uma vez o seu papel, devendo tomar todas as providencias cabíveis em relação as ações que são pertinentes ao caso”, afirmou a presidente.




