Preferência é exportar engenheiros

A Espanha demonstrou interesse com a iniciativa do governo brasileiro de facilitar a entrada no Brasil de mão de obra qualificada, particularmente engenheiros e arquitetos. Apesar das manifestações públicas de interesse da presidente Dilma Rousseff de atrair médicos espanhóis para atuar em cidades do interior, representantes do governo da Espanha ressaltaram que a prioridade deveriam ser os especialistas nas áreas de infraestrutura, para aproveitar os grandes projetos do governo federal na área, como as concessões de portos, aeroportos e rodovias e, sobretudo, o projeto do trem de alta velocidade (TAV), entre Rio de Janeiro, São Paulo e Campinas (SP). “Vemos com bons olhos a intenção de tirar trâmites burocráticos para permitir que engenheiros espanhóis trabalhem no Brasil, assim como a validação de diplomas acadêmicos”, disse ontem a jornalistas, em Brasília, a ministra de Fomento da Espanha, Ana Pastor, que já ocupou a pasta da Saúde naquele país.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, reforçou o interesse espanhol de promover o intercâmbio de médicos com o Brasil após representantes dos dois governos debaterem o tema na semana passada e anteontem, em Genebra (Suíça), onde a Organização Mundial de Saúde promove sua assembleia anual. Mas, segundo o embaixador da Espanha no Brasil, Manuel Hermoso, o elevado nível de desemprego no país dele – que atinge 27% da população economicamente ativa — não se reflete de forma tão expressiva nos profissionais da área da saúde. Além disso, Hermoso reconhece que boa parte dos médicos desempregados encontra “boas posições de trabalho” em outros países europeus, como Suíça e Reino Unido. Para ele, o maior interesse é mesmo na área de infraestrutura.

Críticas

O governo trabalha com a possibilidade de trazer médicos para atuar em regiões carentes do país, por meio de uma autorização especial, sem a necessidade de revalidação do diploma expedido no país de origem. A proposta está sendo criticada com vigor por entidades que representam os profissionais da área da saúde. Nesta semana, a intenção do governo também repercutiu negativamente entre a classe médica de Portugal. Na segunda-feira, o presidente da Ordem dos Médicos de Portugal – equivalente ao Conselho Federal de Medicina (CFM) do Brasil -, José Manuel Monteiro de Carvalho e Silva, considerou que a proposta em estudo desprestigia os profissionais daquele país.

Fonte: Diario de Pernambuco

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