O primeiro dia de vacinação contra o Papilomavírus Humano (HPV) no Recife começou tranquilo, ou melhor, não atraiu um número satisfatório de adolescentes do sexo feminino entre 11 e 13 anos (faixa etária alvo da campanha). No Centro de Saúde Waldemar de Oliveira, em Santo Amaro, das 8h às 11h da manhã desta segunda-feira (10), apenas uma dose da vacina foi aplicada. Na Policlínica Amaury Coutinho, no bairro da Jaqueira, o movimento foi um pouco melhor, embora ainda fraco. Cinco doses foram aplicadas durante a manhã.
Para a coordenadora do Programa Nacional de Imunização em Pernambuco (PNI/PE), Ana Catarina Melo, a baixa procura não representa uma preocupação. Além da previsão de que a vacina estará disponível nos postos da rede pública dos municípios pernambucanos durante todo o ano como parte da rotina de imunização, a partir do dia 24 de março a campanha também ocorrerá nas escolas das redes pública e particular e, por isso, muitos pais preferem aguardar a data, em vez de levar os filhos às unidades de saúde. Os períodos da manhã e tarde também coincidem com o horário das aulas. “Acredito que o movimento deve aumentar no horário de almoço. Além disso, essa não é uma campanha com prazo de encerramento, como as de vacinação contra a gripe ou poliomielite. A vacina contra o HPV passou a fazer parte do calendário básico de vacinação do adolescente e estará disponível durante todo o ano”, disse Ana Catarina.
Com o tema “Cada menina é de um jeito, mas todas precisam de proteção”, a campanha promovida pelo Ministério da Saúde tem como objetivo reduzir casos e mortes ocasionados pelo câncer de colo uterino no Brasil. Em Pernambuco, a meta é vacinar 253 mil adolescentes entre 11 e 13 anos até o fim do ano. Somente no Recife, a expectativa é que 36,2 mil garotas sejam imunizadas. A campanha deve ser ampliada em 2015, contemplando também meninas entre 9 e 11 anos. A vacina quadrivalente protege contra os subtipos HPV 6, 11, 16 e 18, sendo os últimos responsáveis por cerca de 70% dos casos de câncer de colo do útero em todo mundo.
A vacina é administrada em três doses. A segunda aplicação ocorre seis meses após a primeira. A terceira dose é aplicada após 60 meses, ou seja, com cinco anos depois. Entre as adolescentes que já começaram a se proteger está Karine Michele de Brito, de 13 anos. Levada ao posto de saúde pela mãe, a administradora Dannili Michele de Brito, 32 anos, Karine apresentou o documento de identidade e o cartão de vacinação para receber a primeira dose. “Acho a campanha muito importante. Sempre tive uma relação aberta e de diálogo com a minha filha. Ela está no início da adolescência, quando surgem as dúvidas sobre sexualidade, menstruação e doenças sexualmente transmissíveis. Procuro conversar sobre esses temas e orientá-la da melhor forma possível. Sei que a prevenção é importante e isso não mudará em nada as decisões e o tempo da minha filha”, disse Dannili.
Depois de realizar um trabalho na feira de ciência da escola sobre HPV, a estudante Thaysa Crasto, 13 anos, fez questão de tomar a vacina e também foi levada por sua mãe. “Completo 14 anos na próxima quinta-feira (13) e, se fosse esperar que a campanha chegasse ao meu colégio, perderia a chance de ser vacinada”, explicou a garota. A sua mãe, a autônoma Tânia Campos, 39 anos, acha que a campanha deveria ser ampliada para todas as mulheres.
PAPILOMA VÍRUS (HPV) – É um vírus transmitido pelo contato direto com pele ou mucosas infectadas por meio de relação sexual, mesmo que não haja penetração. Também pode ser transmitido da mãe para filho no momento do parto. Estimativa da Organização Mundial da Saúde aponta que 290 milhões de mulheres no mundo são portadoras da doença, sendo 32% infectadas pelos tipos 16 e 18. O Ministério da Saúde orienta que mulheres na faixa etária dos 25 aos 64 anos façam o exame preventivo, o Papanicolau, anualmente. A vacina não substitui a realização do exame preventivo e nem o uso do preservativo nas relações sexuais.
Fonte: NE10



