Cerca de 40 pernambucanos com dificuldades de mobilidade voltarão a andar. Não é um milagre bíblico, mas sim um esforço de cooperação, sensibilidade e caridade cuja iniciativa partiu de empreendedores locais que se articularam com a Secretária Estadual de Saúde e possibilitaram a vinda da missão Operation Walk Chicago ao estado. A organização norte-americana chegou pela primeira vez ao Brasil e aporta no Hospital Dom Helder Camara trazendo 53 médicos voluntários para um mutirão de cirurgias de artroplastia de quadril.
O procedimento, considerado de alta complexidade, custa cerca de R$ 50 mil por paciente. Com a missão, concluída, os pernambucanos contemplados receberam próteses exclusivas e a cirurgia gratuitamente. A missão também inclui a transferência de conhecimento e culminará num simpósio a ser realizado hoje, no auditório da Secretaria Estadual de Saúde, das 9h às 12h30. Os temas serão debatidos pela equipe da Operation Walk e quem quiser participar pode procurar a secretaria. No simpósio serão vistas patologias de quadril, reabilitação e gerenciamento da dor.
O grupo, fundado em 2005, tem realizado cirurgias na China, Equador, Índia, Vietnã, Nepal e Estados Unidos. O investimento total da missão Brasil é de R$ 4 milhões. O organizador e principal incentivador da vinda da missão é o empresário Marcos Roberto Dubeux, dono da Cone S/A, que após passar por problemas relacionados ao ligamento de um de seus joelhos, conheceu a organização e ficou interessado em trazê-la ao Brasil.
“Pensei: já que temos tanta gente precisando de assistência, porque não levar para Pernambuco? Por que não fazer a articulação, que é um esforço pequeno, e viabilizar isso? Os médicos que vêm ao estado, por exemplo, estão em seus períodos de férias, apenas para ajudar. Porque nós não nos articulamos para ajudar também?”, comenta Dubeux, que apresentou o projeto durante visita ao vice-presidente do Diario, Maurício Rands.
Ele encontrou apoio com outros pernambucanos que se uniram à empreitada: a MAP Import, Severien Andrade Alencar Advocacia; Ventana Serra Logística e Elo Comércio Exterior, além do Itamaraty, Ministério da Indústria e Comércio Exterior, a Agência Nacional de Vigilãncia Sanitária, a Receita Federal e o Consulado Americano.
Os pacientes foram previamente selecionados pela Secretaria Estadual de Saúde com a aprovação do médico Júlio Arraes. “Optamos por esses nomes, de uma lista de centenas que estão esperando, analisando aqueles que não têm seguro-saúde nem condições de pagar, e quem tem condições de aguentar o procedimento, que é complexo e dura duas horas”, esclarece.
Fonte: Diario de Pernambuco



