Projetos polêmicos na pauta da ANS

A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) divulgou na semana que passou a sua nova Agenda Regulatória para o biênio 2013-2014. A nova Agenda estabelece sete eixos temáticos que vão nortear as ações prioritárias da agência para este e para o próximo ano. Entre os temas escolhidos como mais importantes estão projetos com grande apelo popular, como o de melhorar o monitoramento dos planos de saúde em relação à qualidade de atendimento ao cliente e outros que prometem ser polêmicos, como a tentativa de limitar os gastos com procedimentos dispendiosos, a exemplo da implantação de órteses e próteses em pacientes.

A questão é muito sensível porque vai interferir num problema grave entre médicos e planos de saúde. Os profissionais querem, por princípio, implantar os melhores produtos em seus pacientes, que são os mais caros, e os planos dão preferência pelos equipamentos mais baratos, mas que na visão de seus técnicos surtem o mesmo efeito.

“Nossa intenção é fazer o mapeamento das principais órteses e próteses utilizadas na saúde suplementar, que hoje representam 54% da conta hospitalar no Brasil. Queremos evitar desperdício e preços fora do eixo, além de tentar iniciar a produção nacional desses equipamentos e racionalizar os gastos nos tratamentos”, comenta o secretário executivo na ANS, João Barroca. “Não podemos esperar que uma nova técnica que saiu no Fantástico no domingo, seja adotada na segunda”, comparou, referindo-se ao preço mais alto das novas tecnologias. “Nossa intenção não é diminuir a qualidade ou o acesso, mas precisamos ficar atentos, mapeando a cadeia produtiva de órteses e próteses”, explicou.

Na visão da ANS, o estabelecimento de uma agenda norteadora de atuação se mostrou bastante produtivo. Em sua primeira versão, para o biênio 2011-2012, a agência conseguiu uma taxa de sucesso de 86% dos projetos colocados em pauta. Ou seja, dos 28 objetivos traçados em nove eixos temáticos, apenas quatro ainda estão em andamento. Dentre as principais ações do período de dois anos, os clientes puderam sentir mudanças com a implementação dos prazos máximos de atendimento de acordo com os procedimentos médicos e a criação do pool de risco, que diminuiu a pressão da sinistralidade em planos coletivos para grupos com menos de 30 pessoas. A sinistralidade é um cálculo que pondera o nível de utilização dos planos por seus usuários para basear o reajuste dos preços.

“Com a colaboração dos vários setores da saúde suplementar é possível melhorar a qualidade da regulação. A Agenda Regulatória é um instrumento eficaz para o amadurecimento de ações que podem resultar em novas regras para o setor e contribuir para ampliar os avanços na gestão regulatória”, afirma o diretor-presidente da ANS, André Longo.

Fonte: Jornal do Commercio

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